As Lágrimas da Guerra, #1

É um pouco maior do que o anterior, mas vale a pena ler!

Havia chovido muito, e a pequena estrada de terra havia se transformado em estrada de barro. A carroça tinha acabado de atolar, e nem se todas as malditas pessoas que estivessem ali tentassem empurrá-la, não conseguiriam tirá-la daquele terreno lamacento. Depois que a guerra invadiu seu país, tiveram que fugir o mais rápido possível, antes que o exército inimigo invadisse suas casas e estuprassem as mulheres ou antes que as crianças fossem obrigadas a ir lutar pelo império. Estavam cercados.

A única opção era seguir por aquela estrada que ia fazendo curvas e subindo lentamente até se perder no horizonte. Ela seguia até o mar, aonde eles pretendiam encontrar algum navio no porto que fosse para longe, e iam pagar de alguma forma para ir com eles. Todos sabiam que, quando chegassem lá, seria cada um por si. Pegaram somente o necessário do que estava sendo levado na carroça, e seguiram viagem, com os tornozelos enfiando na lama. Estava muito frio, e o céu nublado prometia mais chuva ainda. Tempos difíceis eram esses.

Passaram-se os dias, como se fossem somente sonhos sombrios. Certa manhã o sol estava forte e o barro havia secado, então todos se alegraram, pois a esperança de uma vida melhor em um lugar distante voltou ao coração de todos aqueles miseráveis. A estrada passava agora por um local onde havia um enorme penhasco que subia ao lado, e do outro lado seguiam pequenos montes, cavernas e pastos. A sombra do penhasco escurecia a estrada, apesar do dia estar claro. Quando chegaram ao lado do penhasco, ficaram olhando para cima, admirados com aquilo e com medo de alguma rocha ceder e cair.

Então ouviu-se um grito, e pequenas formas escuras apareceram lá em cima. Eles pararam, sentindo algo e olhando para todos os lados. As crianças se agarram aos braços de suas mães. Outro grito, e as formas escuras se moveram um pouco, para, depois de outro grito, soltarem alguns objetos na direção deles, e segundos depois perceberam que eram flechas. Correram desesperados, e logo depois mais uma saraivada desceu sobre os coitados. A maioria foi na direção dos pastos, mas logo depois da primeira elevação voltaram chorando. Isso os que conseguiram voltar. Soldados saíram de pequenas trincheiras e cortavam ao meio com suas espadas enormes todos os que se aproximavam para fugir.

Então a perseguição começou, e muitos aldeões morreram ali, seja por flechas vindo do céu ou pelos soldados, que faziam o sangue brotar da terra. Um pequeno menino mirrado, com os olhos sujos e cheios de lágrimas, se agarrou a uma gorda mulher que gritava por alguém e fechou os olhos. A mulher, vendo que não havia saída, agarrou ele também e saiu dali, olhando para cima e para os lados. Não parou de correr até que os gritos desesperados não fossem mais ouvidos. Olhou para a criança, e viu que ela já estava morta, com uma flechada que atravessou seu peito. Soltou ela rapidamente, e o corpo mole caiu no chão.

A mulher levou as mãos ao rosto e começou a chorar, enquanto recomeçava a correr de volta pela estrada, olhando para trás sempre.

Os contos não têm necessariamente relação entre si, salvo os casos em que há mais de uma parte, como este.

Ladrão

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4 respostas em “As Lágrimas da Guerra, #1

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