Lágrimas da Guerra, #3 (Perdendo a Inocência)

”Estou sonhando?… Isso é um sonho?…”

Não. Não era. No dia seguinte a acordaram com o sol ainda por nascer, e ela foi levada a uma pequena casinha. Lá haviam alguns homens, sorrindo. ”Nada melhor do que me aliviar logo na manhã”, ela ouviu um deles dizer. Estava a muito tempo sem comer, e não tinha força alguma. Ela bem que tentou, mas não conseguiu impedir que tirassem sua roupa. Quando gritou, amarraram um pano em sua boca aberta, fazendo ela babar. ”Isso é a guerra, querida…”. Ela olhou bem nos olhos do homem, e fixou seu rosto em sua mente. Sim, foi estrupada. E, em sua sede por prazer, os homens nem perceberam que ela sangrara. Perdera a virgindade ali, naquele momento. Ela pensou que não haviam mais lágrimas para chorar, mas sim, haviam. Então levou uma pancada na cabeça, alguns gritos, e adormeceu novamente.

Enquanto permaneceu desmaiada, a aldeia estava sendo atacada por aldeões vizinhos, que foram comunicados do ocorrido por alguns sobreviventes do massacre no penhasco. A amarram debilmente no pé de uma mesa podre, e depois trancaram a porta da pequena casa, deixando a chave com um jovem. ”Não permita que ela saia, por nada.”, disse seu superior, antes de sair. Acontece que o ataque foi ficando cada vez mais violento, e uma flecha perdida, ou não, acertou a porta, a dois palmos de seu rosto, e ficou balançando, enfiada na madeira. Ele se agachou e já ia fugindo, quando se lembrou da mulher. Havia sido contra o que fizeram a ela, mas era somente um soldado e não tinha opinião própria. Abriu a porta, e, não conseguindo desatar o nó na perna dela, deu um puxão na perna da mesa, arrancando fora e saindo de lá correndo, com a gorda despertando e levando a mão na nuca.

Quando acordou, havia um homem magro e de cabelos loiros e longo puxando ela pelo braço. ”Vamos, acorda!”, ele dizia, e ela não entendeu. Mas assim de saiu da casa, dolorida, percebeu o que acontecia. A aldeia havia sido tomada novamente pelos aldeões, porém havia fogo em alguns lugares. O dia amanheceu com sangue. Aquele bom homem loiro a havia salvado, aberto a porta e a soltado da mesa. Ele a pegou pelo braço e foram correndo, agachados, enquanto ainda zuniam flechas e alguns soldados resistiam. Até que ela passou ao lado de um homem caído. Parou e olhou para ele. O loiro tento puxá-la, mas ela resistiu, e ele pareceu que entendeu. A gorda chegou perto do soldado caído, e olhou bem em sua cara. Sim, era o homem que a estuprara, ela gravou seu rosto na mente.

”Maldito!”, ela gritou, e lhe deu um chute na perna, que estava com três flechas enfiadas. Ele urrou de dor. Pelo jeito também estava quebrada. ”Sou eu! Eu que te soltei! Eu abri a porta para você, arranquei o pé da mesa!”, ele disse, mas ela sabia que havia sido o bom homem loiro que fizera isso. ”Mentiroso…”, ela pensou, o chutando novamente. ”Eu te ajudei! Você morreria se não fosse por mim! Me ajude!”, ele gritou, chorando. Ela viu um toco de madeira para lenha no chão, atrás dele, e o pegou. ”Eu te ajudei… Eu desobedeci ordens, e abri a porta… Por favor…”, ele ainda resmungava, soluçando. ”Isto é a guerra”, ela disse, descendo o toco de madeira em seu rosto um,duas, três e quatro vezes, até ele parar de gritar e rolar, e então ela viu as míseras roupas que vestia cheias de sangue, e o bom loiro a puxar seu braço. ”Já teve sua vingança, vamos.”, ele dizia, e ela saiu dali como uma nova mulher.

Foi levada até uma aldeia não muito distante, que ficava em cima de um grande monte verde e bonito. Lá contaram a ela que sim, aqueles homens que mataram seus amigos no penhasco eram homens do rei. O exército inimigo bate na porta, e o rei não pode mais alimentar bocas inúteis. Está recolhendo tudo e levando para dentro das muralhas da capital. Tendo os homens fugido, ele foi atrás dele e os matou, e levou os que ficaram para a capital, com a intenção de prepará-los para a luta. ”Para ele, somos somente sacos que não podem mais serem preenchidos. Menos que nada. E ele também tem medo que viremos a casaca, que apoiemos o lado inimigo, por isso é cruel.”, dizia o bom loiro. No dia seguinte, ela encontrou o homem que a vigiara na primeira noite que passou prisioneira, aquele que tinha a barba rente, o cabelo escuro curto e o rosto carismático, conversando com o bom loiro.

Ladrão

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