Lágrimas da Guerra, #4 (A Mulher-Pau)

”Puxa! Levanta! Bate! Defende! Vai, vai, sua gorda maldita!”

Não, ela não aguentava mais. Desde que chegara na pequena aldeia dos refugiados, o homem de cabelos escuros que ela vira conversando com o bom loiro estava ensinando um grupo de pessoas a lutarem. ”Você parece comer muito, mulher. Deve aprender a lutar e a caçar para suprir isso, e é bom que emagrece.”. A partir disso ela foi quase que obrigada a acordar todas as manhãs antes de o sol nascer e começar o treinamento, parando para almoçar e depois treinar mais até o início da tarde. Suas mãos estavam calejadas, seu cabelo havia sido cortado na altura dos ombros, de tão sujo que estava, e ainda tinha que aturar os insultos do homem de cabelos escuros enquanto ela tentava acertá-lo com a espada de todas as formas. Aquele homem estava sendo um espião no grupo dos soldados do rei, por isso tinha alta conta com os aldeões.

Conforme os dias foram passando, ela começou a gostar daqueles treinos, e certa vez alguns jovens chegaram na aldeia assustados, enquanto ela estava sentava em um barril dentro de uma pequena coisa que chamavam de taverna fumando um charuto. ”Eles estão procurando vocês… Cuidado! Eles estão procurando vocês!…”, ”Eles quem?”, perguntou o velho dono da taverna,”Os soldados, os soldados do rei!”, e nesse momento um burburinho correu pelo estabelecimento, e logo toda a aldeia estava sabendo que estavam sendo procurados. Alguns homens levaram os jovens para conversar, e a gorda nunca mais os viu. O homem de cabelos escuros tinha fama de beberrão. Quase toda noite, depois dos treinamentos, enchia a cara de vinho e saía arrumando confusão, e mesmo bêbado nunca apanhava.

Certa noite a gorda estava sentada em uma grande pedra, em que via toda a extensão verde e solitária em que a aldeia se localizava, quando ouviu gemidos e pequenos gritinhos. Não deu importância no início, mas quando o barulho persistiu, vou ver o que era. Encontrou o homem de cabelos escuros em cima de uma jovem garota loira: a irmã do bom loiro, ela percebeu na hora. Eles estavam atrás de uma pilha de feno, e ela estava se soltar dele, enquanto ele levantava suas saias com uma mão na boca dela. ”Pare!”, a gorda se viu gritando, quando o homem virou o rosto para trás em um sorriso alucinador. Estava bêbado. ”O bom loiro vai te matar se ver isso.”, ela continuou. A irmã mordeu a mão do homem, então ele a empurrou para o lado e se levantou, tirando uma adaga da bainha e a balançando no ar. Ele riu, e antes que a gorda pudesse dizer algo, já estava sendo atacada.

Ele pulou para cima dela com a adaga em punho, e ela correu para o lado. ”Te ensinei tudo que sabe, gorda.”, ele disse. Ela já estava cheia de ser chamada de gorda. Encontrou um pedaço de pau ao seu lado, e o pegou. ”Da mesma forma que matei o soldado, matarei este.”, ela pensou. O homem investiu novamente, mas ela abaixou o braço com o pau na direção da cabeça dele. E ele agarrou seu braço com força, girando ela para o lado e fazendo ela gritar. A madeira caiu no chão, e ele enfiou a adaga no braço dela, que viu que sua morte seria ali. Naquele momento a irmã do bom loiro voltava com alguns homens, e o homem de cabelos escuros se assustou, dando uns passos para trás e tropeçando no pedaço de pau, caindo no chão rapidamente, já que estava bêbado. ”Gorda…”, ele resmungou.

”Não mais”, ela disse, enquanto se agachava, pegava o pedaço de pau e acertava em seu rosto da mesma forma que havia feito com o outro pobre soldado que a havia ajudado. Uma, duas, três pauladas em seu rosto, quatro… Os outros homens se aproximavam gritando, e ela se desesperou. Pegou a madeira pela ponta e continuou acertando o rosto do homem de cabelos escuros, e quando os outros estavam quase chegando, ela tentou fugir, mas logo foi capturada. Na mesma noite, foi acusada pela irmã do bom loiro de ter arrumado confusão. ”Ela tinha um caso com ele… Tentou fugir somente quando me viu…”, a gorda pensou, enquanto o bom loiro olhava para ela com reprovação. ”Mentira!”, ela se viu gritando. Muitos já haviam morrido ali, então ela sabia que não aconteceria nenhum tipo de punição. Quando muitas pessoas em desespero estão juntas, é isso que acontece. Mas a partir daquele dia ela passou a ser conhecida como Mulher-Pau, e alumas pessoas fugiram da aldeia com medo da violência, e ela temeu que sua fama se espalhasse.

Certa manhã eles acordaram ao som de berrantes de guerra. Todos os aldeões se aproximaram da entrada da aldeia, e viram a multidão de soldados montados em cavalos que se aproximavam, e todos se desesperaram e correram para todos os lados. A Mulher-Pau apanhou um pedaço de madeira de uma pilha de lenha e se escondeu dentro do curral.

Ladrão

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