Os Contos Perdidos do Apocalipse – Ato 2 “O Achado dos Contos e o Conselho de Guerra”

Royce

Lorde Royce Garrman estava perdido em seus pensamentos, vestindo sua antiga cota de malha e sua surrada capa roxa. Eram tempos difíceis onde se exigiam formalidades, mas não ligava para isso. Todos os senhores independentes foram chamados à Sarazin, a cidade sob a colina para que todos eles se reunissem e fosse formado o Conselho de Guerra.

Não reparou quando o jovem Husjin entrou pela porta após bater algumas vezes. O lorde raramente respondia.

“Meu senhor, a reunião do conselho irá começar dentro de uma hora. Um arauto avisou Sir Oxton pela manhã.”

Royce não se virou, tinha o olhar fixo no monte, nas sombras e na luz pálida, onde acampados estavam anjos e demônios.

“Vá comer, Husjin. Vejo você ansioso desde que chegamos na colina”

“Os homens tinham problemas suficientes pata lidar, senhor”, disse admirando a força com que Royce se mantinha firme, venerava o homem antes mesmo do fato de ele ser seu vassalo. “Não imaginava que os deuses seriam tão cruéis com os seres de Aeru enquanto nossa geração pisasse nessa terra!”

“Talvez homens bons como você seriam arrebatados, como dizia a religião morta. Mas ao que parece eles não contavam que estávamos tão preparados quanto eles para esta guerra, e quem sabe, acabaram por perder sua ‘misericórdia’.”

Os anões do norte mineraram tão fundo quanto jamais se tinha ouvido falar, e encontraram um metal da cor do ferro, mas que exalava uma fumaça dourada sensível apenas aos olhos. Chamaram-no de Metal de Harakaz, em referência ao deus anão das forjas. E descobriram que armas e projéteis deste metal eram capazes de perfurar espíritos e seres místicos, e com este metal em fartura, os anões fabricavam em massa um arsenal capaz de combater anjos e demônios.

“Me sinto honrado por tais elogios, milorde. Peço sua licença para me retirar. Preciso me aquecer, e pelo visto o sol não irá aparecer por entre essas nuvens tampouco o dia irá nos abençoar”

Sir Royce era senhor das terras ocidentais, um reino tão vasto quanto a vista pode alcançar. O castelo de Newell, se erguia como uma arvore solitária em meio a planície do deserto oeste. Com a morte do santo padre, e com a religião disseminada, morta, como agora a chamavam, necessitavam de um novo líder para liderar a revolução dos homens, o Conselho de Guerra, e ele temia pelos homens que fossem governados por esse líder, por suas vidas, não confiava em ninguém para o cargo, mas acima de tudo, temia que fosse ele o escolhido.

Sem sol, apenas com as luzes pálidas rubras e cinza que vinham do monte, o tempo era marcado pelo pêndulo de Sarazin, um grande conjunto de cordas e peças de bronze que batiam a cada segundo. Os pêndulos se chocaram por tempo suficiente e os escravos soaram os sinos que marcavam a passagem de uma hora por duas vezes. Royce embainhou sua espada, jogou o capuz sobre a cabeça e deixou seu quarto rumo ao conselho.

Faeron

A mata exibia uma terrível e desesperadora escuridão, havia alguns dias que o sol não batia na copa das árvores e os pequenos feixes de luzes não as atravessavam fazendo os pequenos riachos que antes brilhavam, parecerem mortos. As sombras pairavam durante o dia, mas as noites estavam ainda mais negras. O vento cortava frio e cruel, e aquela noite em especial, estava sendo longa demais.

Em uma casa encrostada em uma sombra de uma clareira, uma vela permanecera acesa durante toda noite. A casa era feita de pedra, não era comum que fosse, como a maioria das casas de madeira em meio a floresta feita para caçadores passarem as noites nas temporadas de caça. Havia algo naquele lugar que antes, talvez, pudesse ter sido chamado de belo. A clareira se estendia por cerca de trinta metros, e mesmo que nela só havia uma pequena vegetação rasteira, era coberta pelas arvores milenares que se entortavam por cima de sua grandiosidade.

As lendas contavam que as árvores da floresta de Bronwethiel já fora, outrora, a casa dos altos-elfos, os elfos das eras antigas. Quando ainda não tinham sido corrompidos pela ganância dos homens e tido a raça élfica dividida: os elfos de coração puro viajaram até a terra prometida, onde nenhum outro ser poderia alcançar, enquanto os elfos corrompidos se misturaram aos humanos, e eras depois, se tornaram meio-elfos. A casa de pedra estava no coração da floresta, e a magia élfica não tinha força mais ali.

Dentro das paredes de pedra, um ser admirava, sobre uma mesa, um antigo livro. Em volta dele um grande salão onde as paredes eram escondidas por prateleiras e prateleiras se misturava em meio caos de artigos, papiros e pergaminhos. A bagunça do lugar mostrava o quanto o teria revirado desesperadamente por muito tempo. Seu rosto jovem e fino era iluminado de baixo pra cima pela vela solitária que crepitava em meio à escuridão do cômodo e um sorriso indecifrável cortava as alvas bochechas.

Passou a mão sobre a capa empoeirada de couro, revelando a capa cheia de bolor e mofo, onde em meio à vários símbolos se lia: Os Contos Perdidos do Apocalipse. Seu sorriso se alargou ainda mais, sua mente envolvida em milhares de pensamentos. Tomou o livro em suas mãos e com um sopro apagou a vela, trazendo para a noite a escuridão completa.

Toda quinta feira, mais um “Ato”, ou seja, mais um capítulo da série “Os Contos do Apocalipse”, por Tiago Ornelas, o Sr. Armada.

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