Homenagem: Oscar Niemeyer

Galera, primeiramente peço desculpas por não postar isso no meu dia certo, mas assim que deu a notícia, eu achei bacana postar algo sobre ele, então mudei de última hora o meu post para fazer algo sobre Niemeyer, mesmo não sendo uma notícia nerd xD Vale a pena conferir algumas coisas de um dos maiores gênios da arquitetura.

“A sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva”, afirmou Dilma em comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto;

Niemeyer morreu na noite desta quarta-feira (06) aos 104 anos de idade no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 2 de novembro devido a problema digestivos.

Nascido em 15 de dezembro de 1907 no Rio de Janeiro, Niemeyer perdeu neste ano sua única filha, Ana Maria, que morreu aos 82 anos no mesmo hospital.

O arquiteto, criador dos principais edifícios públicos de Brasília, a cidade que ajudou a criar no meio do nada em meados do século passado ao lado do urbanista Lúcio Costa para ser a nova capital do país, manteve-se lúcido quase até o final e só foi sedado na tarde de hoje, quando seu estado se agravou por uma infecção respiratória.

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A classificação de revolucionário faz jus ao arquiteto não só pelos inovadores desenhos de suas obras, nos quais dava vida ao concreto armado com traços sinuosos inspirados nas curvas femininas, mas também por sua militância comunista, que causou seu exílio político nos anos 70, durante a ditadura militar.

O legado de Niemeyer, que está eternizado em várias obras projetadas no Brasil e outros países das Américas, Europa, Ásia e África, foi recordado pela governante, que disse que apesar dele ser um “nacionalista”, Niemeyer se transformou em no “mais cosmopolita dos brasileiros”.

Além dos principais edifícios públicos de Brasília, como os palácios presidenciais do Planalto e da Alvorada, a sede do Senado e a Câmara dos Deputados, Niemeyer deixou seu inigualável traço de curvas em obras como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, a Mesquita de Argel e Universidade de Constantine, na Argélia, e o Centro Cultural de Le Havre, na França.

Niemeyer também desenhou o edifício do grupo Mondadori (Milão), o Parlamento Latino-Americano (São Paulo), a sede da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo da Língua Portuguesa (Lisboa), o Centro Cultural Internacional em Avilés (Espanha), e o sambódromo do Rio de Janeiro.

Arquitetura

“Curvas livres e sensuais, maleabilidade e poesia do cimento armado, rejeição do funcionalismo e do racionalismo”: seu selo “está gravado na paisagem institucional de grandes capitais e particularmente na França, onde ele escolheu viver nos anos 1970”, declarou Filippetti em um comunicado.

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Especialistas em arquitetura não gostam de falar que Niemeyer tenha um estilo, afinal, em mais de sete décadas de produção, a produção do arquiteto teve mudanças.

“Não se pode falar em um estilo, mas há elementos recorrentes, que caracterizam um vocabulário”, diz Júlio Katinsky, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

– MARCAS

Esse vocabulário se revelara 46 anos antes, em uma de suas primeiras obras, a igreja de São Francisco, na Pampulha, em Belo Horizonte.

Nesse projeto, o arquiteto conseguiu criar uma espécie de manifesto de seu pensamento, revelando marcas que o acompanhariam na vida.

Mostra o uso do concreto em suas potencialidades máximas, a manifestação de curvas como elemento arquitetônico, a equalização entre estrutura e arquitetura, a forma de organização do espaço, criando uma harmonia entre construção e ambiente.

É o que leva a um equilíbrio de conjunto, unidade que caracteriza suas obras.

Na igreja da Pampulha, com suas cascas cilíndricas, revela-se outra característica fundamental: a criação de formas escultóricas, um reflexo da natureza brasileira.

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“O Pão de Açúcar foi para Niemeyer o que a montanha Santa Vitória foi para Cézanne: imagem de permanência da natureza, uma presença formal e espiritual”, escreve David Underwood em “Oscar Niemeyer e o Modernismo de Formas Livres no Brasil”.

Também na Pampulha, principalmente na Casa de Baile e no Cassino, hoje um museu, há outra marca, aí em forma embrionária: o uso de colunas que integram a arquitetura ao seu entorno.

– LE CORBUSIER

Esse uso não foi uma inovação de Niemeyer mas do franco-suíço Le Corbusier (1887-1965), que exerceu grande influência na arquitetura brasileira na década de 1930, com o projeto do Ministério da Educação e Saúde.

Obra de 1936, foi projetada por Lucio Costa e Niemeyer, com auxílio de Le Corbusier.

Entretanto, Niemeyer radicaliza o uso desse elemento, agregando ao suporte técnico uma composição estética.

“Já na Pampulha estão as marquises orgânicas. O uso das colunas vai ser original na construção do [antigo] Detran, no Ibirapuera, com a forma de “V” e depois ganha variedade em Brasília”, diz o arquiteto Ricardo Ohtake, autor de “Oscar Niemeyer”, da coleção Folha Explica, volume publicado em 2007.

A produção de Niemeyer tem por base um “caráter ideológico”, segundo Katinsky.

“Ele sempre acreditou que a técnica poderia resolver os problemas da humanidade, por isso sempre esteve cercado dos engenheiros e calculistas mais sofisticados de seu tempo, o que acabou estendendo os limites de sua própria obra”, afirma.

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Curiosidade Histórica

Em maio de 1945, terminava a Segunda Guerra Mundial com a rendição da Alemanha nazista. Vencedora do conflito, a União Soviética tinha prestígio imenso. Na mesma proporção, o prestígio da ideologia comunista.

Tal conjuntura repercutiu fortemente no cenário brasileiro. O regime político vigente permanecia o Estado Novo, inspirado no equivalente salazarista fascistoide de Portugal e Getúlio Vargas continuava instalado no Catete na condição de ditador.

Mas, em 1942, pressionado pelo presidente Franklin Roosevelt, Vargas revelou suficiente flexibilidade política para jogar fora suas simpatias nazilófilas e se enfileirar com as Nações Aliadas.

Confirmando a reviravolta, patrocinou a organização de uma FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateu na Itália, no final do conflito mundial.

A mudança radical levou, já em maio de 1945, à anistia dos presos políticos. Após nove anos de encarceramento no Rio, Luiz Carlos Prestes ganhava a liberdade, com a glória nas alturas.

Do confinamento na Ilha Grande, saíam Carlos Marighella, Agildo Barata e numerosos outros comunistas.

Pela primeira vez na sua trajetória histórica, o Partido Comunista do Brasil (a partir de 1961, Partido Comunista Brasileiro) tornou-se organização política legalizada.

A influência do PCB era notável entre os intelectuais.

Assim que se mostrou à luz do dia, alcançou adesão de artistas, vários de primeiríssima linha, como Oscar Niemeyer, Candido Portinari, Caio Prado Jr., Graciliano Ramos, Jorge Amado, Álvaro Moreyra e Clóvis Graciano.

Niemeyer foi inabalavelmente comunista por mais de seis décadas. Sob este aspecto, recorrerei a duas testemunhas pessoais.

No final dos anos 1950, eu fazia conferências e palestras, em recintos universitários, sobre a questão das relações entre marxismo e humanismo, tema então em voga. Fiz exposições e enfrentei debates em numerosas cidades, de Recife a Porto Alegre.

Um grupo de comunistas, que trabalhava em Brasília, interessou-se em me ouvir. Estávamos em 1960, a cidade se encontrava já construída, porém ainda não ocorrera a transferência da capital da República, sediada no Rio.

Os comunistas de Brasília tinham a liderança de meu amigo Geraldo Campos, que, em 1986, seria deputado constituinte. Aceitei o convite, tomei o avião e, chegando à cidade, deslumbrante por sua arquitetura, fiz duas conferências, em dias seguidos.

Ouviram-me uns 20 e tantos companheiros, entre funcionários administrativos e simples operários. Um dos ouvintes era Niemeyer. Assistiu atentamente às duas conferências, sem fazer perguntas ou comentários.

Aqui tem uma cronologia interessante em slideshow sobre os principais marcos da vida dele. Vale a pena conferir: http://br.noticias.yahoo.com/fotos/aos-104-anos-morre-o-arquiteto-oscar-niemeyer-slideshow/

Fontes: Folha de São Paulo, Estadão e Yahoo.

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