Mitologia Grega

E ae galera! Essa semana o Armada Nerd não publicou tanta coisa mas é porque final de ano tá complicado pra todo mundo! Mas não parem de postar, comentar e divulgar. (:

Então… eu reparei que quando o Ladrão postou algumas coisas de mitologia, a galera demonstrou interesse. Bom, como esse fim de ano tá corrido, eu consegui achar apenas um documentário do History (dublado) bem interessante sobre Mitologia Grega. Pra quem tem interesse vale a pena conferir! (:

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Homenagem: Oscar Niemeyer

Galera, primeiramente peço desculpas por não postar isso no meu dia certo, mas assim que deu a notícia, eu achei bacana postar algo sobre ele, então mudei de última hora o meu post para fazer algo sobre Niemeyer, mesmo não sendo uma notícia nerd xD Vale a pena conferir algumas coisas de um dos maiores gênios da arquitetura.

“A sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva”, afirmou Dilma em comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto;

Niemeyer morreu na noite desta quarta-feira (06) aos 104 anos de idade no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 2 de novembro devido a problema digestivos.

Nascido em 15 de dezembro de 1907 no Rio de Janeiro, Niemeyer perdeu neste ano sua única filha, Ana Maria, que morreu aos 82 anos no mesmo hospital.

O arquiteto, criador dos principais edifícios públicos de Brasília, a cidade que ajudou a criar no meio do nada em meados do século passado ao lado do urbanista Lúcio Costa para ser a nova capital do país, manteve-se lúcido quase até o final e só foi sedado na tarde de hoje, quando seu estado se agravou por uma infecção respiratória.

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A classificação de revolucionário faz jus ao arquiteto não só pelos inovadores desenhos de suas obras, nos quais dava vida ao concreto armado com traços sinuosos inspirados nas curvas femininas, mas também por sua militância comunista, que causou seu exílio político nos anos 70, durante a ditadura militar.

O legado de Niemeyer, que está eternizado em várias obras projetadas no Brasil e outros países das Américas, Europa, Ásia e África, foi recordado pela governante, que disse que apesar dele ser um “nacionalista”, Niemeyer se transformou em no “mais cosmopolita dos brasileiros”.

Além dos principais edifícios públicos de Brasília, como os palácios presidenciais do Planalto e da Alvorada, a sede do Senado e a Câmara dos Deputados, Niemeyer deixou seu inigualável traço de curvas em obras como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, a Mesquita de Argel e Universidade de Constantine, na Argélia, e o Centro Cultural de Le Havre, na França.

Niemeyer também desenhou o edifício do grupo Mondadori (Milão), o Parlamento Latino-Americano (São Paulo), a sede da Fundação Luso-Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo da Língua Portuguesa (Lisboa), o Centro Cultural Internacional em Avilés (Espanha), e o sambódromo do Rio de Janeiro.

Arquitetura

“Curvas livres e sensuais, maleabilidade e poesia do cimento armado, rejeição do funcionalismo e do racionalismo”: seu selo “está gravado na paisagem institucional de grandes capitais e particularmente na França, onde ele escolheu viver nos anos 1970”, declarou Filippetti em um comunicado.

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Especialistas em arquitetura não gostam de falar que Niemeyer tenha um estilo, afinal, em mais de sete décadas de produção, a produção do arquiteto teve mudanças.

“Não se pode falar em um estilo, mas há elementos recorrentes, que caracterizam um vocabulário”, diz Júlio Katinsky, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

– MARCAS

Esse vocabulário se revelara 46 anos antes, em uma de suas primeiras obras, a igreja de São Francisco, na Pampulha, em Belo Horizonte.

Nesse projeto, o arquiteto conseguiu criar uma espécie de manifesto de seu pensamento, revelando marcas que o acompanhariam na vida.

Mostra o uso do concreto em suas potencialidades máximas, a manifestação de curvas como elemento arquitetônico, a equalização entre estrutura e arquitetura, a forma de organização do espaço, criando uma harmonia entre construção e ambiente.

É o que leva a um equilíbrio de conjunto, unidade que caracteriza suas obras.

Na igreja da Pampulha, com suas cascas cilíndricas, revela-se outra característica fundamental: a criação de formas escultóricas, um reflexo da natureza brasileira.

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“O Pão de Açúcar foi para Niemeyer o que a montanha Santa Vitória foi para Cézanne: imagem de permanência da natureza, uma presença formal e espiritual”, escreve David Underwood em “Oscar Niemeyer e o Modernismo de Formas Livres no Brasil”.

Também na Pampulha, principalmente na Casa de Baile e no Cassino, hoje um museu, há outra marca, aí em forma embrionária: o uso de colunas que integram a arquitetura ao seu entorno.

– LE CORBUSIER

Esse uso não foi uma inovação de Niemeyer mas do franco-suíço Le Corbusier (1887-1965), que exerceu grande influência na arquitetura brasileira na década de 1930, com o projeto do Ministério da Educação e Saúde.

Obra de 1936, foi projetada por Lucio Costa e Niemeyer, com auxílio de Le Corbusier.

Entretanto, Niemeyer radicaliza o uso desse elemento, agregando ao suporte técnico uma composição estética.

“Já na Pampulha estão as marquises orgânicas. O uso das colunas vai ser original na construção do [antigo] Detran, no Ibirapuera, com a forma de “V” e depois ganha variedade em Brasília”, diz o arquiteto Ricardo Ohtake, autor de “Oscar Niemeyer”, da coleção Folha Explica, volume publicado em 2007.

A produção de Niemeyer tem por base um “caráter ideológico”, segundo Katinsky.

“Ele sempre acreditou que a técnica poderia resolver os problemas da humanidade, por isso sempre esteve cercado dos engenheiros e calculistas mais sofisticados de seu tempo, o que acabou estendendo os limites de sua própria obra”, afirma.

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Curiosidade Histórica

Em maio de 1945, terminava a Segunda Guerra Mundial com a rendição da Alemanha nazista. Vencedora do conflito, a União Soviética tinha prestígio imenso. Na mesma proporção, o prestígio da ideologia comunista.

Tal conjuntura repercutiu fortemente no cenário brasileiro. O regime político vigente permanecia o Estado Novo, inspirado no equivalente salazarista fascistoide de Portugal e Getúlio Vargas continuava instalado no Catete na condição de ditador.

Mas, em 1942, pressionado pelo presidente Franklin Roosevelt, Vargas revelou suficiente flexibilidade política para jogar fora suas simpatias nazilófilas e se enfileirar com as Nações Aliadas.

Confirmando a reviravolta, patrocinou a organização de uma FEB (Força Expedicionária Brasileira), que combateu na Itália, no final do conflito mundial.

A mudança radical levou, já em maio de 1945, à anistia dos presos políticos. Após nove anos de encarceramento no Rio, Luiz Carlos Prestes ganhava a liberdade, com a glória nas alturas.

Do confinamento na Ilha Grande, saíam Carlos Marighella, Agildo Barata e numerosos outros comunistas.

Pela primeira vez na sua trajetória histórica, o Partido Comunista do Brasil (a partir de 1961, Partido Comunista Brasileiro) tornou-se organização política legalizada.

A influência do PCB era notável entre os intelectuais.

Assim que se mostrou à luz do dia, alcançou adesão de artistas, vários de primeiríssima linha, como Oscar Niemeyer, Candido Portinari, Caio Prado Jr., Graciliano Ramos, Jorge Amado, Álvaro Moreyra e Clóvis Graciano.

Niemeyer foi inabalavelmente comunista por mais de seis décadas. Sob este aspecto, recorrerei a duas testemunhas pessoais.

No final dos anos 1950, eu fazia conferências e palestras, em recintos universitários, sobre a questão das relações entre marxismo e humanismo, tema então em voga. Fiz exposições e enfrentei debates em numerosas cidades, de Recife a Porto Alegre.

Um grupo de comunistas, que trabalhava em Brasília, interessou-se em me ouvir. Estávamos em 1960, a cidade se encontrava já construída, porém ainda não ocorrera a transferência da capital da República, sediada no Rio.

Os comunistas de Brasília tinham a liderança de meu amigo Geraldo Campos, que, em 1986, seria deputado constituinte. Aceitei o convite, tomei o avião e, chegando à cidade, deslumbrante por sua arquitetura, fiz duas conferências, em dias seguidos.

Ouviram-me uns 20 e tantos companheiros, entre funcionários administrativos e simples operários. Um dos ouvintes era Niemeyer. Assistiu atentamente às duas conferências, sem fazer perguntas ou comentários.

Aqui tem uma cronologia interessante em slideshow sobre os principais marcos da vida dele. Vale a pena conferir: http://br.noticias.yahoo.com/fotos/aos-104-anos-morre-o-arquiteto-oscar-niemeyer-slideshow/

Fontes: Folha de São Paulo, Estadão e Yahoo.

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Nova Zelândia se transforma para receber estreia da trilogia ‘Hobbit’

A capital da Nova Zelândia estava correndo para completar sua transformação em um paraíso para os seres de pés peludos e orelhas pontudas nesta terça-feira, 27, enquanto as estrelas chegavam para a estreia mundial há muito aguardada do primeiro filme da trilogia Hobbit.

Wellington, onde mora o diretor Peter Jackson e local de grande parte da pós-produção, foi renomeada para “O Centro da Terra Média”, com fãs promovendo festas a fantasia e os trabalhadores da cidade se preparando para colocar 500 metros de tapete vermelho.

Um jato da Air New Zealand especialmente decorado com o tema Hobbit trouxe o elenco, membros da produção e funcionários do estúdio para a estreia.

Jackson, que já trabalhou em um jornal local e é considerado um herói da cidade, disse que ainda estava editando a versão final de Hobbit: Uma Jornada Inesperada antes da exibição de quarta-feira.

Os filmes são baseados no livro de J.R.R. Tolkien e contam a história que leva até sua fantasia épica O Senhor dos Anéis, que Jackson transformou em três filmes ganhadores do Oscar há cerca de 10 anos.

Hobbit

A história se passa 60 anos antes de O Senhor dos Anéis e foi originalmente planejada como apenas dois filmes, antes da decisão de que havia material suficiente para justificar uma terceira parte.

Fãs da Nova Zelândia estavam se preparando para conseguir os melhores lugares para ver as estrelas do filme, incluindo o ator britânico Martin Freeman, que interpreta o hobbit Bilbo Bolseiro, Hugo Weaving, Cate Blanchett e Elijah Wood.

“Tem sido uma espera de 10 anos para estes filmes, a Nova Zelândia é o lar espiritual de Tolkien, então de jeito nenhum nós vamos perder isso”, disse o funcionário de um escritório Alan Craig, que se confessou maníaco pelo “Senhor dos Anéis”.

A produção tem estado no centro de várias controvérsias, incluindo uma disputa com sindicatos em 2010 sobre os contratos trabalhistas que resultaram em uma intervenção do governo para mudar leis trabalhistas, dando a Warner Brothers mais incentivos para manter a produção na Nova Zelândia.

Jackson disse que a Warner tinha enviado olheiros para a Grã-Bretanha para procurar possíveis locações e também combinou partes do script com filmagens nas Terras Altas da Escócia e em florestas inglesas.

“Isso foi para nos convencer de que poderíamos facilmente ir lá fazer o filme… e eu teria que ter ido até lá fazer isso, mas eu estava lutando desesperadamente para ficar aqui”, afirmou Jackson.

Na semana passada, um grupo de direitos animais disse que mais de 20 animais, incluindo cavalos, porcos e galinhas, tinham sido mortos durante a produção do filme. Jackson explicou que alguns animais utilizados no filme morreram na fazenda onde estavam alojados, mas que nenhum tinha sido ferido durante as filmagens.

Os filmes também são notáveis por serem os primeiros filmados em 48 frames por segundo (fps), em comparação com os 24 fps que tem sido o padrão da indústria desde 1920.

O segundo filme “Hobbit: A Desolação de Smaug” será lançado em dezembro do ano que vem, enquanto o terceiro “Hobbit: Lá e De Volta Outra Vez”, deve sair em meados de julho de 2014.

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Fonte: Estadão

Confiram também alguns vídeos envolvendo O Hobbit.

http://www.youtube.com/watch?v=NFhS_5cfKPI

http://www.youtube.com/watch?v=kU6SDwAMC8g&feature=g-subs

Nerds ou Geeks? Preconceito ou Orgulho?

Muitos passaram a usar as palavras, antes com conotação negativa, para se autodescrever; ativistas suecos querem mudar seu significado no dicionário.

Ativistas suecos estão em campanha para mudar, em seus dicionários, a definição do termo nerd. Será mais um indício de que o termo – bem como a palavra-irmã geek – perdeu sua conotação negativa?

Em 1984, o filme A Vingança dos Nerds mostrava que ser nerd significava ser antissocial, ou mesmo socialmente inferior. Mas as coisas parecem ter mudado. Em 2010, “A Rede Social”, contando a história do Facebook, encontrou um ambiente diferente. Atualmente, os termos geek e nerd são associados a pessoas bem-sucedidas como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg.

Até alguns atletas começaram a se declarar nerds. O jogador de futebol americano Chris Kluwe se disse surpreso ao receber o título de “mais sexy do ano”, argumentando que é um “jogador de videogame nerd”.

Seriados de entretenimento também transformaram geeks em heróis, como o personagem Sheldon Cooper, do seriado The Big Bang Theory.

Em Operação Skyfall, o personagem Q, guru dos “gadgets” de James Bond, é retratado como um esperto geek da informática.

Novo sentido

Tem havido uma mudança no sentido atribuído a geeks e nerds. Acredita-se que a primeira descrição de um nerd seja a de um personagem peludo criado nos anos 1950 pelo autor e ilustrador de livros infantis Dr Seuss.Em 1951, a definição foi publicada na revista Newsweek: “Em Detroit (EUA), alguém que antes seria chamado de quadrado é agora, lamentavelmente, um nerd”.Nos anos 1970, com o crescimento da indústria da informática, criou-se a noção do nerd como alguém “crânio”, antissocial e ligado ao mundo da tecnologia. O sentido da palavra, porém, acabou ficando mais “neutro” nos anos 2000, opina o editor-associado do dicionário Merriam-Webster, Kory Stamper.

No caso de geek, o uso remonta ao início do século 20, para se referir a um carnavalesco, e virou sinônimo de “tolo”.

Atualmente, Stamper acredita que nerd caracterize alguém que tenha um conhecimento aprofundado de uma determinada área, e geek ganhou o sentido mais técnico antes atribuído a nerd. “Algumas pessoas usam a palavra geek com orgulho, para falar dos melhores”, opina.

Em geral, geek vem acompanhada de outra descrição, como “geek da física”, “geek da história” ou mesmo “geek de drinques”.

O que se perdeu?

Na Suécia, uma petição online para mudar a definição de nerd no dicionário – “uma pessoa motivo de risadas” – ganhou quase 4 mil assinaturas.

Há relatos de que a Academia de Letras Sueca aceitaria mudar a definição para algo mais neutro.

O autor britânico Neil Gaiman se diz fascinado pela rapidez com que as duas palavras ganharam um novo sentido na Grã-Bretanha desde os anos 1980. “(Nerd) é um desses termos que originalmente eram ofensas, mas foram incorporados pelos ‘ofendidos’ como uma honra.”

Sendo assim, mais e mais pessoas viraram entusiastas dessas palavras e de interesses associados a elas – revistas em quadrinhos, Jornada nas Estrelas, animes e videogames.

Mas será que algo se perdeu com essas mudanças de sentido?

Alguns que se autodenominam nerds e geeks sentem saudades dos dias em que eram vistos como rebeldes, afirma Benjamin Nugent, autor de American Nerd: The Story of My People (Nerd Americano: A História do Meu Povo, em tradução livre).

“Isso só ocorreu com os personagens de Hollywood, de hackers derrubando corporações nefastas”, opina.

Alguns rejeitam o atual uso tão abrangente das palavras. Em um fórum de internet, um usuário disse acreditar que “um nerd é alguém apaixonado por algo (e muito bom nisso) – seja matemática, literatura, botânica, qualquer coisa. Em algum momento, isso mudou para (descrever) alguém que é parte de uma cultura, que assiste a um determinado programa de TV e usa um tipo de roupa.” BBC Brasil.

Fontes: Estadão e BBC Brasil.

E ae galera? O que vocês acham e sentiram dessas mudanças? Vocês como nerds, sofrem menos preconceito do que antes?

Sinceramente eu acho que a cultura que antes era mais nerd ou como chamavam na década de 90 – CDF – agora tá sendo mais globalizada: em filmes, livros, jogos…. Acho isso bacana, mas eu reparo também que hoje em dia virou um pouco de modinha ser nerd, que aliás agora se chama geek (que pra mim é o cara que quer ser nerd mas sem passar aquela imagem CLÁSSICA do rapaz com blusa xadrez, óculos gigantes e livro na mão), é o nerd mais descoladão!

Game of Thrones e História Medieval

Saiba quais são as referências reais usadas na série Game of Thrones:

Os hábitos, as guerras e as figuras reais que serviram de referência para o best-seller As Crônicas de Gelo e Fogo. A Idade das Trevas que inspira a trama, e faz sucesso também na TV, se revela uma época mais iluminada (e muito mais sangrenta) do que se costuma supor.

O livro de ficção mais vendido hoje no Brasil tem 592 páginas e se chama A Guerra dos Tronos. Na 2a posição, vem A Fúria dos Reis, com 656. Publicados nos Estados Unidos em 1996 e 1999, foram escritos pelo americano George R. R. Martin e dão início ao ciclo As Crônicas de Gelo e Fogo, com 7 partes programadas. Considerado um sucessor mais apimentado e violento de O Senhor dos Anéis, um clássico da fantasia medieval, o fenômeno editorial foi parar na TV. O primeiro volume da saga inspirou a série Game of Thrones, do canal HBO. Apesar do componente fantasioso, que inclui ovos de dragão, tanto os livros como a série se reportam à realidade – o autor já se declarou fã de livros de história e coleciona cavaleiros medievais em miniatura. É na bruta e sangrenta rotina da Idade Média que o autor se inspira. Conhecer o período revela muito sobre a trama. E a ficção de R. R. Martin, por mais que seja uma fantasia, ajuda a entender aspectos da Idade das Trevas.

Entre muralhas – e fora delas

Nos anos 1980, numa viagem à Inglaterra, George R. R. Martin se impressionou com os restos da Muralha de Adriano, concluída pelos romanos no ano de 126 para separar o mundo civilizado dos bárbaros do norte, que viviam na atual Escócia. Essa tensão fronteiriça entre Roma e os outros povos marca a transição para a Idade Média: a Idade Antiga termina em 476, quando é expulso da cidade Rômulo Augusto, o último imperador romano, substituído pelo rei bárbaro Odoacro. Naquele momento, Roma já era apenas uma sombra de seu passado. Fazia cerca de dois séculos que a falta de controle sobre as províncias era um problema crescente, e os vizinhos ameaçavam o domínio do império, que, na prática, já caíra várias vezes. Desamparados pelo poder central e acossados por ondas de guerras e saques, os camponeses preferiam estabelecer vínculos com os grandes donos de terra das redondezas, trabalhando em suas terras em troca de proteção. A Muralha de Adriano foi a inspiração para uma das presenças mais marcantes da trama de As Crônicas de Gelo e Fogo: o paredão de gelo no norte do continente Westeros, que separa os habitantes dos Sete Reinos do desconhecido (leia mais nas págs. 32 e 33). É também uma bela metáfora para a situação geográfica do homem medieval, associado no nosso imaginário a castelos fortificados. As pessoas tinham medo de mares e florestas, territórios povoados por monstros e seres malignos. O mundo na Idade Média, para a maioria, não ia além de alguns quilômetros quadrados de suas casas, entre os muros do castelo ou nas redondezas. O imobilismo, porém, não era total, como se costuma imaginar.

Tempos de pancadaria

Game of Thrones é um banho de sangue na TV. Sua violência, porém, não tem nada de gratuita. A Idade Média foi uma das épocas mais carniceiras da História. Estudos recentes mostram que as mortes por esmagamento da face, por exemplo, eram tão comuns quanto as provocadas por lâminas. Uma demonstração nítida do grau de brutalidade no cotidiano da população. No medievo, o europeu não costumava passar dos 35 anos. (Hoje, no Afeganistão, a pior estimativa do mundo, a população vive cerca de 45.) Os senhores feudais impunham sua vontade entre os camponeses, judeus e hereges eram queimados pela Inquisição, cristãos e muçulmanos se matavam em nome da fé. O pau comia solto, e a saga se aproxima da faceta “Idade Média má”, expressão do historiador Jacques Le Goff. “A violência fazia parte da vida das famílias de todas as classes”, diz Mark Bailey. Durante a Baixa Idade Média (entre os séculos 11 e 15), as contendas por terra eram intensas. Associada à perseguição religiosa, essa instabilidade produzia muitas guerras. “Os camponeses eram obrigados a lutar para defender seus senhores. Mal equipados, eles iam para a linha de frente”, diz o historiador Patrick Geary, da Universidade da Califórnia. Um episódio sangrento do fim da Idade Média influenciou diretamente a criação de dois núcleos de protagonistas de As Crônicas de Gelo e Fogo. Em 1455, estourou na Inglaterra a Guerra das Rosas – por 30 anos, duas das principais famílias do país duelaram pelo trono. A referência é explícita: no mundo real, lutaram as casas de York (simbolizada pela rosa branca) e Lancaster (a vermelha). Na ficção, são nomes semelhantes: Stark e Lannister. “O autor cita um caso conhecido, mas os conflitos entre famílias poderosas se tornaram muito comuns quando o poder começou a se concentrar em reinos”, afirma Bailey. Nesse contexto de extrema violência, destaca-se uma figura que seria o grande símbolo da Idade Média: a do cavaleiro.

Ética cavalheiresca

Um tipo de cavalo de batalha, o destrier, se populariza na Europa na Idade Média. Vindo provavelmente da Ásia no século 7, o animal deu novo protagonismo aos animais nas guerras por seu tamanho e sua resistência. “Além disso, o aperfeiçoamento da sela, que já era conhecida pelos romanos, e a adoção do estribo permitiram que o cavaleiro tivesse mais controle sobre a montaria. A união entre homem e cavalo se tornou invencível”, diz Tim Ayers, historiador da Universidade de York. As selas reforçadas passaram a permitir que o guerreiro andasse a cavalo com mais peso sem perder o equilíbrio. Tornou-se possível montar usando armaduras pesadas. Essa imagem imponente passou a ser associada a heroísmo e nobreza. Os cavaleiros, porém, sempre estiveram a serviço de alguém. Não necessariamente de causas nobres, mas da elite feudal. A Guerra dos Tronos mostra muitos deles e ao menos um torneio semelhante aos que entretinham a população, quando os combatentes exibiam suas habilidades. Na Europa, com o cavaleiro, surgem rituais de iniciação, regras de conduta e a sua cara-metade, a dama, sinônimo de mulher bela e virtuosa. Sobram estereótipos como esse, reproduzidos na composição dos personagens da saga. A maioria desses elementos traz ideais inventados pelos romances de cavalaria, um gênero inspirado na mitologia do homem e seu animal, que culminaria, em 1605, em Dom Quixote, sátira de Miguel de Cervantes ao estilo.

Vida de templário

Entre os núcleos de personagens da trama, os Patrulheiros do Norte são responsáveis por guardar a muralha de gelo. Vestem preto, obedecem a uma hierarquia rígida e juram fidelidade vitalícia à causa. O modelo é inspirado nas ordens militares e religiosas medievais, como a dos Templários. Fundada em 1118, chamava-se Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Seus membros eram monges-guerreiros vestidos com mantos brancos e uma cruz vermelha no peito. Eles foram forçados a encerrar suas atividades em 1312 pelo papa Clemente 5o, sentindo-se ameaçado pela riqueza e pelo poder acumulado pela ordem. Mas as organizações desse tipo se multiplicaram. “Os costumes dos monges eram seguidos à risca. Os cavaleiros cristãos faziam voto de castidade, por exemplo. Trocavam a dedicação à cultura e aos necessitados por ações militares em defesa dos fiéis”, afirma Paul E. Szarmach, da Academia Medieval da América.

Mulheres e crianças

Na Idade Média, as mulheres jamais conheceram tanto poder, mas a ficção permite alguma identificação com figuras como lady Catelyn Stark, uma matriarca influente. Na vida real, mudanças iniciadas no medievo ajudaram a definir o papel da mulher na sociedade atual. Surgiam a repressão à poligamia – deixava de existir no norte da Europa o macho com um time de esposas – e o hábito de a mulher dizer “sim” no instante do casamento (a escolha era da família, mas o consentimento era simbólico). Para Le Goff, houve avanço real na condição das mulheres, que conseguiram ocupar um espaço que não tinham na Antiguidade. As da nobreza, que não podiam sequer sair sozinhas nos jardins dos castelos, tinham influência dentro deles. As mais pobres driblavam proibições e se tornavam curandeiras, benzedeiras e parteiras. Aliás, ser criança naquele período era muito diferente. A labuta começava por volta dos 10 anos. No início da saga, Eddard Stark leva Bran, seu filho de 7 anos, para ver a decapitação de um desertor. Queria que o herdeiro se acostumasse à brutalidade dos maiores. Uma cena que, fatalmente, aconteceu na vida real.

Apontando para o futuro

Numa passagem emblemática da trama, o príncipe Joffrey reclama do rei Robert à mãe, a rainha Cersei. Ele critica a atenção paterna dada ao chefe dos Starks, Eddard. Acha-os primitivos. Para o jovem, quando ele subir ao trono e controlar os Sete Reinos, a solução será aumentar os impostos para o clã e forçá-lo a fornecer homens para as tropas reais. A cena pode servir de síntese da transição da época medieval para os tempos do moderno Estado nacional: um rei fortalecido diante das soberanias pulverizadas dos senhores feudais, amparado por um Exército regular sob seu comando. Tal processo de formação de nações foi bastante tumultuado – com algumas exceções, como Carlos Magno (747-814) e Luís 9º (1214-1270), durante a Idade Média os reis tiveram pouco poder para além dos limites de suas propriedades. Perto do fim do período, a situação foi se modificando. Na França, por exemplo, os castelos fortificados de nobres muito poderosos eram destruídos a mando do rei. A primeira nação a conseguir completar o itinerário de concentração de poder na figura real foi Portugal – que, assim, saiu na frente nas grandes navegações. Não fosse isso, este texto talvez estivesse em outra língua. Não é que a solução do príncipe Joffrey estava certa?

Da Idade Média à fantasia


As luzes da Idade das Trevas

Humanistas como o poeta Francesco Petrarca enxergaram o intervalo entre os séculos 5 e 14 como um buraco negro entre a Antiguidade racionalista, de gregos e romanos, e seu próprio tempo, precursor do Renascimento. No século 19, houve uma troca de sinais no exagero: o medievo passou a ser encarado como uma era de ouro pelos artistas do romantismo, cheia de homens honrados e valores nobres. Ivanhoé (1819), de Walter Scott, é um clássico dessa tendência. Outro que botou as lendas medievais nas alturas foi o compositor Richard Wagner, que inspirou a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. As Crônicas de Gelo e Fogo fazem parte dessa tradição de fantasia medieval, na qual cabem jogos de videogame e o RPG Dungeons & Dragons. No balanço de trevas e luz, o certo é que a Idade Média nos legou modos de vestir, as universidades, as línguas da Europa e a divisão política do continente. “Apesar dos pesares, foi um período muito rico”, diz Paul E. Szarmach. “Lentamente, o mundo ocidental caminhou para o formato que tem hoje.”

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Fonte: Guia do Estudante – Aventuras na História.

Galera, pra quem gosta de história medieval eu recomendo muito os livros de Jacques Le Goff e mais especificamente pra quem gosta dos costumes medievais e a parte mais cultural, eu recomendo o livro O Processo Civilizador de Nobert Elias.

Análise do filme Inception (A Origem)

“Qual é o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Não. Uma idéia! Resistente e altamente contagiosa. Uma vez que uma idéia se apodera da mente, é quase impossível erradicá-la. Uma idéia que é totalmente formada e compreendida, permanece.”

Essa é a carta de apresentação do mais novo filme de Christopher Nolan: “A origem” (Inception, 2010). Essas palavras são pronunciadas para alguém que está comendo. É importante ter isso em mente para a compreensão do uso do nome “Inception”, que tem sido mal interpretado até mesmo nas críticas onde a língua-mãe é o inglês.

Inception: No dicionário significa Início, origem. Ok, mas tudo no filme, a começar pela cena que descrevi acima, nos leva a perceber que o uso do título “Inception” deriva do verbo incept, que significa ingerir. Tudo no filme gira em torno da ingestão de uma idéia.  Seria um título esquisito e pouco chamativo, mas nas legendas do filme é usada a expressão inserção, que pode não ser a tradução literal, mas é a mais adequada (e funcionaria perfeitamente para o título em português). Há uma diferença fundamental entre inserção e ingestão. Enquanto o primeiro nos remete a um procedimento invasivo, ativo no sentido de ser empurrado algo a alguém, no segundo temos um movimento de aceitação, de passividade, de acolhimento. São assim que as idéias são absorvidas, e assim que elas permanecem.

O final do filme dá margem a duas interpretações básicas: 1 – Cobb acorda de fato e volta para seus filhos no mundo real. 2 – Cobb ainda está sonhando. Essa segunda alternativa é que abre o filme a infinitas interpretações que pipocam pela internet e fazem a graça e a genialidade da sétima arte, porque insere o espectador na história, faz o filme não acabar com o fim da projeção, e “digerimos” aquela idéia por dias, talvez semanas ou meses!

Uma das possíveis teorias é que o responsável pela distorção de realidade é Miles (Michael Caine), o pai de criação e mestre de Cobb na “arte de navegar mentes”; o único com capacidade para iludir Cobb num intrincado jogo para fazê-lo se perdoar e voltar para os filhos, e o único com motivos para fazê-lo. Há duas teorias sobre em que momento Cobb entrou neste “grande sonho” sem perceber: Uma é que TODO o filme já é um sonho. Isso torna as coisas mais fáceis, pois todos os personagens e situações anteriores a isso ocorreriam apenas na mente de Cobb, manipulada por Miles. Ou de que o “grande sonho” começa em Mombaça (na África).

Percebam que quando Cobb conhece Yusuf (Dileep Rao) ocorrem uns diálogos estranhos. Ele aparentemente alfineta Cobb com a pergunta “você ainda sonha, Cobb?” ou o velho que diz “Eles vêm aqui para serem acordados. O sonho se tornou para eles a realidade. Quem é você pra dizer o contrário?“, na parte em que mostram alguns idosos sonhando num porão. Antes disso Yusuf ainda questiona Cobb se ele tem certeza de que quer ver essa cena. Após Cobb pedir pra Yusuf testar nele um poderoso sonífero, ele sonha com Mal e “acorda” tão angustiado que não consegue nem girar o pião. Só que, de acordo com minha teoria, ele não acorda de verdade. E a partir daí surgem flashes das crianças e de Mal em sua “realidade”. O pião não é girado mais (ou pelo menos ele não cai). Esse é o “grande sonho” do qual ele não acorda mais.

A idéia por trás dessa teoria é que Miles, juntamente com Ariadne e Yusuf (e possivelmente Saito) sabem do plano dentro do plano, que é mergulhar fundo na mente de Cobb ao mesmo tempo em que mergulham na de Fischer pra realizar a missão de Saito. Saito aparecer magicamente na África; Miles estar convenientemente esperando por ele na alfândega do aeroporto; as crianças estarem praticamente com as mesmas roupas e posição no final, Ariadne aceitar muito facilmente um trabalho que é oferecido a ela como ilegal e perigoso etc). Outro fato que corrobora a teoria é a conversa de Cobb com Miles. Miles parece bastante cínico quanto ao pedido de Cobb por um arquiteto, pois sabe das tramóias ilegais em que ele esteve envolvido, mas quando Cobb diz a ele que é pra reencontrar os próprios filhos, Miles prontamente diz “eu tenho a pessoa certa pra você” e nos apresenta Ariadne (Ellen Page). Isso acontece porque Miles percebe que é a hora certa de botar seu próprio plano de “inception” em prática.

Os nomes dos personagens são um guia para entender o roteiro:

Dom Cobb: Dom é “Senhor, Soberano“. Cobb pode ser traduzido como “aquele que está no controle“. O que é irônico, porque ele PENSA que está no controle, mesmo quando as coisas dão errado.

Arthur: É o “herói” do filme no seu sentido mais hollywodiano. É altivo, guardião, confiável, infalível e ainda beija a garota. Não há erro em apontar seu nome como uma referência direta ao Rei Arthur.

Ariadne: Do grego Arihagne (Pura, sagrada). Na mitologia Ariadne é quem ensina Teseu a se guiar no labirinto de Tebas e a derrotar o Minotauro. Ela dá a ele um rolo de fio – que ficou conhecido como o “fio de Ariadne” – pra ele sempre saber por onde veio. No filme a menina (imagem de pureza) guia Cobb pelo labirinto que ela criou. Ela é o fio condutor da trama, e pode ser considerada a personagem principal, por ser a guia na jornada de Cobb pela sua própria mente, sem que ele perceba a intenção por detrás disso.

Mal: O nome da esposa de Cobb é incerto (possivelmente Margaret), mas todos a chamam de Mal, que em francês é o mesmo que em português: O mal. Na divulgação do filme ela é chamada de “A Sombra”, e é exatamente isso que ela é, na psicologia analítica. A sombra é uma parte de nossa psiquê que queremos ocultar de nós mesmos, e assim a projetamos inconscientemente no outro. O sentimento de culpa em relação ao que aconteceu a Mal manteve-a viva nas projeções mentais de Cobb, levando a este conflito Amor x Culpa em todos os sonhos dele, representados/projetados na figura bidimensional/caricata de Mal que, ao mesmo tempo em que é a doce amada, é também a raiva e a destruição dos desejos inconscientes de Cobb (que não fosse o dele ficar com ela no limbo, porque no fundo ELE não queria deixá-la, por essa mistura de amor, culpa e arrependimento).

Fischer: É o executivo em quem Cobb deve implantar a idéia. Seu nome deriva de Fisher (pescador). Ironicamente quem é “fisgado” sem querer é o Cobb.

Eames: É o que se transforma no tio de Fischer dentro do sonho. Seu nome deriva do inglês arcaico Eam, que significa…. Tio.

Yusuf: É o químico preparador do sonífero que permite o sonho pesado. Seu nome significa José, em árabe. No Corão há um Yusuf cuja história começa com um maravilhoso sonho que ele teve, e posteriormente adquire a habilidade de interpretar sonhos. Na nossa Bíblia há também – em Gênesis 37 – um José que interpreta sonhos.

Maurice: É o pai de Fischer. Seu nome deriva do latim Mauritius (Mouro), uma tribo que vivia no norte da África e hoje são muçulmanos. São Maurício (St. Maurice) foi o soldado romano (convertido cristão) que se tornou mártir ao preferir morrer com toda a sua unidade de soldados a cumprir ordens de esmagar uma revolta cristã.

Miles: É o pai de Mal, professor de arquitetura e mentor de Cobb na arte de criar sonhos. Seu nome significa, em latim, soldado. É interessante perceber que a figura paterna do personagem Fischer possui um nome que remete ao próprio sogro de Cobb.

Saito: Provavelmente este nome é uma homenagem a Hajime Saito, samurai líder dos Shinsengumi e policial do serviço de inteligência, relacionado com contra-espionagem. O personagem é apresentado no filme como um empresário poderoso, representando um Deus Ex Machina que possibilita qualquer coisa que Cobb precise. É a chave para a realização do desejo de Cobb rever seus filhos, algo que até então ele achava impossível. Durante o filme Saito dá mostras de seu poder e influência (como comprar uma companhia aérea inteira pra utilizar UM avião) e resgata Cobb de uma enrascada no meio da África. Isso fortalece os laços entre ambos, e ele acaba assumindo para Cobb uma figura de autoridade quase paterna, influência que Miles não possuía. Por isso talvez Saito foi utilizado para influenciar discretamente o inconsciente de Cobb com um questionamento: “Você quer se tornar um homem velho, cheio de arrependimento, esperando pra morrer sozinho?“. A frase é lembrada mais duas vezes, sendo a última no limbo, usada como um gatilho para Cobb recobrar sua consciência e trazer Saito de volta. A beleza aqui é que na verdade nesta cena Cobb está resgatando ELE MESMO do limbo através do “espelho” Saito, que naquele momento era uma representação visual – e visceral – da idéia contida na frase que era pra Cobb!

A idéia de espelho está inserida no filme em outros momentos-chave, que mais parecem uma forma gratuita de usar computação gráfica mas não são: quando a menina “dobra” a cidade e vemos prédios iguais se juntando, de forma espelhada. E noutra cena, quando a mesma menina “fecha” um vão da ponte com espelhos. O espelho é uma forma sutil de demonstrar que um dos dois é falso, e na psicanálise ele é usado para promover a desidentificação de figuras parentais ou próximas e ajudar na individuação da criança. Por exemplo, uma criança pequena não concebe a mãe como outra pessoa, e sim uma extensão dela mesma, e o espelho ajuda-a a perceber-se como indivíduo pela primeira vez. No caso de Cobb sua individualidade estava “contaminada” pela presença de Mal, e o que Ariadne faz? Ela usa o espelho para que Cobb se veja como SUJEITO, uma entidade separada de Mal. Obriga-o a olhar pra si mesmo, como se apontasse “Ei, este é você AGORA”. Cobb certamente não percebeu isso conscientemente, mas algo sempre fica implantado (ingerido).

Isso é intervenção. Um psicólogo hábil pode arar e adubar a terra, e depois construir, como um arquiteto, as fundações e o palco para a apresentação de sua idéia, e assim vê-la germinar; é isso que acontece no filme, quando o Demiurgo Miles constrói, através dos personagens, toda a base (ver os filhos), o palco (a inserção de uma idéia na mente de outra pessoa, a ajuda e incentivo dos outros) e apresenta sua idéia (“Cobb, tudo o que está entre você e seus filhos agora é a sua sombra”). O desenrolar da história e o grand finale vão depender sempre do paciente.

Só que a sombra não assiste a tudo pacificamente. Ela cria um sem-fim de dificuldades e desafios, porque o inconsciente tem seus próprios planos. No filme chamam de “defesas da mente”, e elas existem mesmo, e podem assumir as formas mais assustadoras ou desejáveis desde que cumpram o seu papel de bloquear aquilo com o qual você não quer (ou não está preparado para) se confrontar, como anticorpos que atacam as células que consideram invasoras. No filme isso é representado pelos cofres, pelas gangues armadas até os dentes e por uma esposa apaixonada ou raivosa.

Mal é o minotauro que Ariadne ajuda Cobb a derrotar. É graças à menina que Cobb se abre e admite sua culpa e seu remorso, confessando a história da inserção malsucedida em Mal. Esse foi o primeiro passo de Cobb rumo à aceitação/libertação. É emblemático que Ariadne esteja sempre ao lado dele nos confrontos com a sombra, e mais emblemático ainda que ela o incentive a derrotá-la (matá-la), como na cena do limbo; quando a sombra está prestes a dominar Cobb, Ariadne intervém e atira em Mal, enfraquecendo-a e permitindo um lindo momento de catarse, em que Cobb dialoga com sua própria sombra como não sendo mais a mulher que ele tanto amou:

Cobb – Eu não posso ficar com ela porque ela não existe mais.
Mal – Eu sou a única coisa em que você ainda acredita.
Cobb – Eu gostaria. Eu gostaria mais que tudo. Mas eu não posso imaginá-la em toda a sua complexidade, toda a sua perfeição, toda a sua imperfeição. Olhe pra você. Você é só uma sombra da minha esposa verdadeira. Você é o melhor que eu posso fazer; mas sinto muito, você não é boa o suficiente.

Isso se chama em psicologia lacaniana de “atravessar o fantasma”, ou seja, confrontar o sujeito com a realidade. Isso nada mais é do que achar um sentido para aquilo que inicialmente não tinha sentido. Ariadne faz isso o tempo todo com Cobb. Foi a única que explorou a relação de Cobb com Mal, entrou em seus sonhos, o ajudou a superar todas as etapas da inserção; inclusive no momento em que ele desiste e diz que fracassou, ela encontra uma solução. É ela quem dá um outro SENTIDO para continuar. É ela que vai até o último andar do elevador dos sonhos de Cobb (onde ele não queria entrar) e o acompanha ao nível mais profundo do insconsciente e o ajuda a “atravessar o seu fantasma”. Ariadne é a peça-chave no filme, e uma possível análise para isso é por acaso seu amuleto ser um bispo: uma peça de xadrez que, na França (terra da personagem) é chamada de “Bobo da corte”, aquele que em tempos medievais se fazia de tolo e de inocente pra falar de forma ambígua certas verdades ao Rei, que o bobo (que de bobo não tinha nada) captava no mundo fora dos muros do castelo.

Vemos então o epílogo, que é também o início do filme. Cobb está saindo do mar, que é um símbolo na psicologia para o inconsciente, porque, segundo Freud, o inconsciente – assim como o mar – não tem começo nem fim, e nem tem individualidade (é um amálgama de água, e água tirada do mar não é mar, é água). Essa simbologia nos remete claramente ao estado de Cobb, como que ressurgindo do limbo em que sua individualidade ia se perdendo (isso explica a falta de memória dele à mesa com o Saito velhinho).

Uma última análise é do título da música de Edith Piaf “Non, Je Ne Regrette Rien” significa “Não, não me arrependo de nada“. Isso é a síntese da catarse de Cobb, quando ele confronta a sombra no limbo. E não por acaso é a música escolhida pra “chutar” de volta os personagens ao mundo real. O mais fantástico foi a forma como o compositor da trilha sonora, Hans Zimmer, utilizou fragmentos dessa música para permear a trilha, dentro do paradigma imposto pelo roteiro de que, quanto mais profundo o sonho, o tempo – e a música – desaceleram.

Link para análise da música aqui. 

Dica de almoço de super-herói

O que o Batman comeria: maçã ou batata frita? Um pequeno estudo realizado com 22 crianças americanas de 6 a 12 anos mostrou que, se elas acham que seus heróis favoritos preferem alimentos saudáveis e acabam reproduzindo esse comportamento.

Batman – Dark Knight Rises 2012

Em um acampamento de férias, os pesquisadores observaram se, tendo a escolha de comer fatias de maçã ou batatas fritas, qual dos acompanhamentos as crianças punham no prato. Só duas das 22 crianças pediram maçãs.

Em um segundo momento, antes de comer, o grupo via 12 fotos (seis de heróis como o Batman e seis de vilões como o Pinguim).

Ao mostrar cada imagem, o pesquisador perguntava à criança: “Essa pessoa come fatias de maçã ou batatas fritas?”. Depois dessa atividade, dez das 22 escolheram a maçã na hora do almoço.

Na terceira semana, cada criança via fotos de alimentos como salada e pizza e tinha de identificar quais eram saudáveis. Depois dessa sessão, só quatro escolheram maçã no almoço.

Segundo os autores do estudo, publicado na “Pediatric Obesity”, os heróis motivaram mais as crianças do que as fotos de alimentos porque ativaram uma associação afetiva com a comida saudável. Esse mecanismo, dizem eles, pode ser útil para os pais.

Perguntar “o que o Batman comeria?” antes das refeições pode ajudar a evitar as calorias a mais, segundo os pesquisadores, da Universidade Cornell (EUA).

O mais comum hoje é a ligação de personagens com guloseimas, mas é importante saber que a associação funciona para o outro lado, diz a endocrinologista Zuleika Halpern.

“Para crianças e adolescentes, não adianta só dizer que algo é saudável, nem que podem ter problemas de saúde mais tarde. A associação positiva com o personagem pode funcionar.”

Bom isso funciona desde o Popeye né? (:

Fonte: Folha de São Paulo.