Lágrimas da Guerra, #5 FINAL (A Última Prisioneira)

A aldeia pegava fogo: os soldados a haviam incendiado. Havia gritos para todo lado, enquanto ela se encolhia atrás de madeira e lixos. Não viu quando alguém chegou por trás e a apertou pelo pescoço com o braço, fazendo-a se levantar. Ela viu o tênue brilho de uma lâmina, e no mesmo momento em que a ponta encostava em sua garganta, seu braço ia para cima, levando o pedaço de madeira que havia pegado consigo. Acertou na nuca de quem a segurava, e o braço que a prendia frouxou. Ela se assustou ao se virar e ver a irmã do bom homem loiro. Mas não pensou duas vezes. Acertou o pau no rosto dela outra vez, e a jovem foi ao chão, gemendo. Então a gorda, que já tinha muita força nos braços devido ao seu treinamento anterior, se preparava para mais um golpe, mas então um homem em um cavalo passou rapidamente e jogou uma tocha incendiária próximo dali, e ela foi embora correndo.

Flechas zuniam no seu ouvido, enquanto ela corria agachada tentando sair da aldeia. ”Sim, agora eu tenho um pouco de coragem”, pensou, e nesse momento as pernas dela travaram, ela olhou para cima e um cavalo negro enorme relinchava e se inclinava para cima na sua frente. Seu casco acertou seu rosto, e ela sentiu como se sua cabeça fosse encolhida do tamanho de uma ervilha, e então desmaiou.

”Ah…”, sua boca ardia, e ao passar a língua pela gengiva, sentiu mais de um dente quase solto. Cuspiu um bola de sangue, e depois outra e depois mais uma. Abriu os olhos, e estava em uma jaula móvel. Junto dela haviam outros, e ela se assustou ao reconhecer amigos de sua antiga aldeia. ”Não!, gritou, Não! Ah…”, não, não era possível, tudo isso para no final ser apanhada novamente por esses malditos soldados. Não… Que vida miserável era a sua? O que tinha feito para passar por tudo aquilo?… Não tinha tido problema algum em viver, até que os interesses dos poderosos destruiu tudo que havia construído. E tudo isso é somente questão de sorte! Por que ela não nasceu em um berço de ouro, aonde tudo seria mais fácil, aonde não teria problema algum, aonde não trabalharia tanto, aonde não sofreria, aonde seu pai receberia um dote pelo seu casamento…

Seus sonhos eram muitos, e a realidade não permitia espaço para nenhum deles. Ela era uma camponesa, sua opinião não valia de nada, em nenhuma história de heróis alguém do campo, do interior, havia feito algo importante. Pelo menos nas histórias que ela conhecia. Então olhou para o lado e viu que passavam por um grande penhasco. Olhou o outro lado e viu um pequeno morro, com algumas plantações, e uma sombra negra lá em cima, ereta. ”Sim, eu vou fazer algo importante”. Seu peso finalmente serviria para algo. As carroças eram interligadas umas nas outras por cabos de ferro, para que não se separassem. A comitiva que a levava prisioneira, certamente para torturá-la, era razoavelmente grande. ”Me matar por eu seu uma camponesa. Por eu ser uma boca inútil para o rei. Olhe essas plantações míseras.”, pensou. A tortura certamente aconteceria, pois nove em cada dez soldados têm a mente sombria.

Então ela começou. As carroças passavam a centímetros do penhasco, e o morro subia ao lado, impedindo que elas se afastassem do perigo. A sombra ainda continuava lá em cima. Ela se jogou para o lado da morte, batendo o corpo contra as grades. Isto assustou os miseráveis que compartilhavam a jaula com ela, que fez mais uma vez, e depois outra, enquanto lágrimas desciam de seu rosto. Alguns gritavam para que parassem e tentaram segurá-la, enquanto outros começaram a ajudar, e uma briga quase ocorreu dentro da carroça. Outros prisioneiros de outras jaulas começaram a fazer o mesmo, enquanto os soldados gritavam e enfiavam a lança nos desprovidos de sorte. ”Alguns de vocês vão morrer comigo, malditos!”, ela resmungou, enquanto dava o empurrão derradeiro.

Ela não viu, mas enquanto a carroça tombava lentamente, a sombra negra lá em cima levantava um arco e tirava uma flecha da aljava. Se tivesse olhos melhores, ela teria visto seu cabelo loiro, e o rosto de um bom homem loiro. Ele fechou um os olhos e mirou, soltando a flecha no momento em que a gorda saía de visão. Enquanto a carroça dela caía, começando a puxar as outras, ela sentiu a flecha atravessando seu peito. Ela buscou ar, mas não achou. Flechou os olhos e se encolheu, ouvindo tudo ranger e o mundo caindo em cima de si mesma, todos os soldados que estavam montados e os prisioneiros naquela confusão que cheirava a sangue e morte. Continuou de olhos fechados, e se encolheu mais ainda, como um caramujo, e esperou pela sua tão esperada morte.

Alguns dias depois o exército inimigo invadiu o Império, criando um cerco em sua capital. Cerco que durou quase um ano e meio, pois toda plantação havia sido recolhida, e mesmo assim ainda ficaram algumas para trás. Mas ainda assim o exército inimigo venceu, pois muitos trabalhadores do próprio Império se viraram contra ele e contra seu Imperador.

Ladrão

Jurassic Park 3D

Como foi anunciado no começo deste ano, o clássico de 1993 dirigido por Steven Speilberg vai retornar aos cinemas, nos Estados Unidos, dia 5 de abril de 2013 como Jurassic Park 3D.

Hoje, foi divulgado o pôster que você pode conferir aí em cima.

Ano que vem, Jurassic Park comemora 20 anos de lançamento. O filme baseado no livro de mesmo nome de Michael Crichton, havia chegado ao topo na lista de maior bilheteria na história do cinema no ano de lançamento, até ser derrubado do primeiro lugar por Titanic alguns anos depois.

Universal Pictures prometeu divulgar um trailer especial para o lançamento ainda hoje.

Lágrimas da Guerra, #4 (A Mulher-Pau)

”Puxa! Levanta! Bate! Defende! Vai, vai, sua gorda maldita!”

Não, ela não aguentava mais. Desde que chegara na pequena aldeia dos refugiados, o homem de cabelos escuros que ela vira conversando com o bom loiro estava ensinando um grupo de pessoas a lutarem. ”Você parece comer muito, mulher. Deve aprender a lutar e a caçar para suprir isso, e é bom que emagrece.”. A partir disso ela foi quase que obrigada a acordar todas as manhãs antes de o sol nascer e começar o treinamento, parando para almoçar e depois treinar mais até o início da tarde. Suas mãos estavam calejadas, seu cabelo havia sido cortado na altura dos ombros, de tão sujo que estava, e ainda tinha que aturar os insultos do homem de cabelos escuros enquanto ela tentava acertá-lo com a espada de todas as formas. Aquele homem estava sendo um espião no grupo dos soldados do rei, por isso tinha alta conta com os aldeões.

Conforme os dias foram passando, ela começou a gostar daqueles treinos, e certa vez alguns jovens chegaram na aldeia assustados, enquanto ela estava sentava em um barril dentro de uma pequena coisa que chamavam de taverna fumando um charuto. ”Eles estão procurando vocês… Cuidado! Eles estão procurando vocês!…”, ”Eles quem?”, perguntou o velho dono da taverna,”Os soldados, os soldados do rei!”, e nesse momento um burburinho correu pelo estabelecimento, e logo toda a aldeia estava sabendo que estavam sendo procurados. Alguns homens levaram os jovens para conversar, e a gorda nunca mais os viu. O homem de cabelos escuros tinha fama de beberrão. Quase toda noite, depois dos treinamentos, enchia a cara de vinho e saía arrumando confusão, e mesmo bêbado nunca apanhava.

Certa noite a gorda estava sentada em uma grande pedra, em que via toda a extensão verde e solitária em que a aldeia se localizava, quando ouviu gemidos e pequenos gritinhos. Não deu importância no início, mas quando o barulho persistiu, vou ver o que era. Encontrou o homem de cabelos escuros em cima de uma jovem garota loira: a irmã do bom loiro, ela percebeu na hora. Eles estavam atrás de uma pilha de feno, e ela estava se soltar dele, enquanto ele levantava suas saias com uma mão na boca dela. ”Pare!”, a gorda se viu gritando, quando o homem virou o rosto para trás em um sorriso alucinador. Estava bêbado. ”O bom loiro vai te matar se ver isso.”, ela continuou. A irmã mordeu a mão do homem, então ele a empurrou para o lado e se levantou, tirando uma adaga da bainha e a balançando no ar. Ele riu, e antes que a gorda pudesse dizer algo, já estava sendo atacada.

Ele pulou para cima dela com a adaga em punho, e ela correu para o lado. ”Te ensinei tudo que sabe, gorda.”, ele disse. Ela já estava cheia de ser chamada de gorda. Encontrou um pedaço de pau ao seu lado, e o pegou. ”Da mesma forma que matei o soldado, matarei este.”, ela pensou. O homem investiu novamente, mas ela abaixou o braço com o pau na direção da cabeça dele. E ele agarrou seu braço com força, girando ela para o lado e fazendo ela gritar. A madeira caiu no chão, e ele enfiou a adaga no braço dela, que viu que sua morte seria ali. Naquele momento a irmã do bom loiro voltava com alguns homens, e o homem de cabelos escuros se assustou, dando uns passos para trás e tropeçando no pedaço de pau, caindo no chão rapidamente, já que estava bêbado. ”Gorda…”, ele resmungou.

”Não mais”, ela disse, enquanto se agachava, pegava o pedaço de pau e acertava em seu rosto da mesma forma que havia feito com o outro pobre soldado que a havia ajudado. Uma, duas, três pauladas em seu rosto, quatro… Os outros homens se aproximavam gritando, e ela se desesperou. Pegou a madeira pela ponta e continuou acertando o rosto do homem de cabelos escuros, e quando os outros estavam quase chegando, ela tentou fugir, mas logo foi capturada. Na mesma noite, foi acusada pela irmã do bom loiro de ter arrumado confusão. ”Ela tinha um caso com ele… Tentou fugir somente quando me viu…”, a gorda pensou, enquanto o bom loiro olhava para ela com reprovação. ”Mentira!”, ela se viu gritando. Muitos já haviam morrido ali, então ela sabia que não aconteceria nenhum tipo de punição. Quando muitas pessoas em desespero estão juntas, é isso que acontece. Mas a partir daquele dia ela passou a ser conhecida como Mulher-Pau, e alumas pessoas fugiram da aldeia com medo da violência, e ela temeu que sua fama se espalhasse.

Certa manhã eles acordaram ao som de berrantes de guerra. Todos os aldeões se aproximaram da entrada da aldeia, e viram a multidão de soldados montados em cavalos que se aproximavam, e todos se desesperaram e correram para todos os lados. A Mulher-Pau apanhou um pedaço de madeira de uma pilha de lenha e se escondeu dentro do curral.

Ladrão

Lágrimas da Guerra, #3 (Perdendo a Inocência)

”Estou sonhando?… Isso é um sonho?…”

Não. Não era. No dia seguinte a acordaram com o sol ainda por nascer, e ela foi levada a uma pequena casinha. Lá haviam alguns homens, sorrindo. ”Nada melhor do que me aliviar logo na manhã”, ela ouviu um deles dizer. Estava a muito tempo sem comer, e não tinha força alguma. Ela bem que tentou, mas não conseguiu impedir que tirassem sua roupa. Quando gritou, amarraram um pano em sua boca aberta, fazendo ela babar. ”Isso é a guerra, querida…”. Ela olhou bem nos olhos do homem, e fixou seu rosto em sua mente. Sim, foi estrupada. E, em sua sede por prazer, os homens nem perceberam que ela sangrara. Perdera a virgindade ali, naquele momento. Ela pensou que não haviam mais lágrimas para chorar, mas sim, haviam. Então levou uma pancada na cabeça, alguns gritos, e adormeceu novamente.

Enquanto permaneceu desmaiada, a aldeia estava sendo atacada por aldeões vizinhos, que foram comunicados do ocorrido por alguns sobreviventes do massacre no penhasco. A amarram debilmente no pé de uma mesa podre, e depois trancaram a porta da pequena casa, deixando a chave com um jovem. ”Não permita que ela saia, por nada.”, disse seu superior, antes de sair. Acontece que o ataque foi ficando cada vez mais violento, e uma flecha perdida, ou não, acertou a porta, a dois palmos de seu rosto, e ficou balançando, enfiada na madeira. Ele se agachou e já ia fugindo, quando se lembrou da mulher. Havia sido contra o que fizeram a ela, mas era somente um soldado e não tinha opinião própria. Abriu a porta, e, não conseguindo desatar o nó na perna dela, deu um puxão na perna da mesa, arrancando fora e saindo de lá correndo, com a gorda despertando e levando a mão na nuca.

Quando acordou, havia um homem magro e de cabelos loiros e longo puxando ela pelo braço. ”Vamos, acorda!”, ele dizia, e ela não entendeu. Mas assim de saiu da casa, dolorida, percebeu o que acontecia. A aldeia havia sido tomada novamente pelos aldeões, porém havia fogo em alguns lugares. O dia amanheceu com sangue. Aquele bom homem loiro a havia salvado, aberto a porta e a soltado da mesa. Ele a pegou pelo braço e foram correndo, agachados, enquanto ainda zuniam flechas e alguns soldados resistiam. Até que ela passou ao lado de um homem caído. Parou e olhou para ele. O loiro tento puxá-la, mas ela resistiu, e ele pareceu que entendeu. A gorda chegou perto do soldado caído, e olhou bem em sua cara. Sim, era o homem que a estuprara, ela gravou seu rosto na mente.

”Maldito!”, ela gritou, e lhe deu um chute na perna, que estava com três flechas enfiadas. Ele urrou de dor. Pelo jeito também estava quebrada. ”Sou eu! Eu que te soltei! Eu abri a porta para você, arranquei o pé da mesa!”, ele disse, mas ela sabia que havia sido o bom homem loiro que fizera isso. ”Mentiroso…”, ela pensou, o chutando novamente. ”Eu te ajudei! Você morreria se não fosse por mim! Me ajude!”, ele gritou, chorando. Ela viu um toco de madeira para lenha no chão, atrás dele, e o pegou. ”Eu te ajudei… Eu desobedeci ordens, e abri a porta… Por favor…”, ele ainda resmungava, soluçando. ”Isto é a guerra”, ela disse, descendo o toco de madeira em seu rosto um,duas, três e quatro vezes, até ele parar de gritar e rolar, e então ela viu as míseras roupas que vestia cheias de sangue, e o bom loiro a puxar seu braço. ”Já teve sua vingança, vamos.”, ele dizia, e ela saiu dali como uma nova mulher.

Foi levada até uma aldeia não muito distante, que ficava em cima de um grande monte verde e bonito. Lá contaram a ela que sim, aqueles homens que mataram seus amigos no penhasco eram homens do rei. O exército inimigo bate na porta, e o rei não pode mais alimentar bocas inúteis. Está recolhendo tudo e levando para dentro das muralhas da capital. Tendo os homens fugido, ele foi atrás dele e os matou, e levou os que ficaram para a capital, com a intenção de prepará-los para a luta. ”Para ele, somos somente sacos que não podem mais serem preenchidos. Menos que nada. E ele também tem medo que viremos a casaca, que apoiemos o lado inimigo, por isso é cruel.”, dizia o bom loiro. No dia seguinte, ela encontrou o homem que a vigiara na primeira noite que passou prisioneira, aquele que tinha a barba rente, o cabelo escuro curto e o rosto carismático, conversando com o bom loiro.

Ladrão

As Lágrimas da Guerra, #2 (Interlúdio)

Tropeçou em um monte de lama e caiu com a cara no chão, se sujando mais ainda e fazendo o fedor que estava impregnado nela subir. Soluçou e passou a mão pelo rosto, tirando a lama dos olhos. Seu cabelos ruivos estavam um lixo. Olhou para frente e viu uma fumaça subindo não muito distante, e logo abaixo a pequena entrada de pedra de sua simples aldeia. Sorriu a começou a correr em direção ao lar, mas enquanto se aproximava pensou o que poderia ter acontecido lá dentro enquanto estivera fora. A esperança saiu de seu coração e ela passou a temer o que encontraria. Passou pelo arco de pedra na entrada e olhou para todos os lados, não encontrando nada, e ouvindo somente o som do vento batendo nas árvores próximas.

Como sentia fome… Não comia nada sustentável já havia alguns dias, quase uma semana. Conseguira chegar ali graças aos cogumelos comestíveis que encontrara no caminho e que, graças a Deus, não foram encontrados na ida pelos outros aldeões. Caminhou por entre as casas simples, muitas de amigos seus, e começou a ouvir um tênue som de martelo batendo em aço. ”Forjando”, ela pensou. Foi até a forja e lá encontrou um homem musculoso e suado trabalhando. Ele enfiou o aço avermelhado em um barril de água, fazendo a fumaça subir com um chiado. Ele parou o serviço quando percebeu a presença dela. Primeiro a olhou sério, mas depois de fitá-la de cima a baixo, sorriu.

”Bom dia… Senhora”, ele disse, mostrando alguns dentes podres. ”Não sou senhora. -ela respondeu se aproximando.- O que aconteceu aqui?”, ela continuou e esperou a resposta. ”Soldados invadiram e levaram todos os homens e crianças.” ”Soldados do rei, do Império?” ”Sim… Mas o que uma senhora como você faz por aqui?” ”Já disse que não sou senhora. Moro aqui.” ”Ah… -nesse momento ele largou o seu aço e esfregou as mãos. -estava com os fugitivos? Com os covardes?” Ela ficou em silêncio, abaixou os olhos. ”Venha comigo, vou te levar aonde estão as outras mulheres, você deve conhecer alguém, se é daqui.” Ele a segurou pelo braço, mas ela escorregou para fora e o seguiu a uma distância segura, saindo da pequena cobertura aonde estavam e andando entre as casas.

Ele a levou até o casarão que havia no centro da aldeia e servia como estoque. Na entrada, um homem os parou. ”Quem é essa?”, ele perguntou, e o ferreiro sorriu. Ela começou a dar passos para trás, desconfiada, mas logo o homem que estava na porta botou o rosto para dentro do casarão e chamou dois homens, que apareceram rapidamente e foram atrás dela. A corrida foi pequena, gorda e fraca como estava, ela logo foi capturada. ”Gorda, fraca e burra.”, ela pensou. Foi levada para uma pequena casinha que ficava ao lado do casarão, gritando e chorando. Virou o rosto e olhou para o ferreiro. ”Traidor!”, gritou. ”Traidor? -ele respondeu. -Nunca estive do seu lado.”

Lá dentro a sentaram em uma cadeira e perguntaram o que havia acontecido com a comitiva que saiu da aldeia. Quando ela contou a história, eles pareceram aliviados. ”Você é a única sobrevivente?”, um deles perguntou. ”Não sei”, respondeu limpando as lágrimas. ”Você só sabe chorar…”, pensou. A pegaram pelo braço e a levaram até o casarão, aonde havia uma grande mesa, como antes, e cadeiras dos lados. Muitos homens estavam comendo lá, ”soldados”, ela pensou. E sua barriga doeu só de pensar em comer. ”Você pode servir de distração para nossos homens.”, disse um dos que a levavam. Ela se arrepiou e começou a se contorcer, gritando, enquanto os homens que comiam percebiam o que estava acontecendo a começavam a rir.

Naquele dia não a fizeram nada, mas ela dormiu acorrentada em uma carroça e sendo vigiada por um homem. Ela prestou atenção nele. Tinha a barba rente, cabelo escuro curto, músculos definidos e o rosto carismático, apesar de duro. Quando pensou em dizer algo, ele se afastou, e ela dormiu com os olhos úmidos e sonhou com dias antigos e melhores.

Ladrão

Da Idade Média

Idade Média foi o período entre a Queda de Roma e a Invenção da Imprensa, em que muitas guerras foram realizadas, muitas pessoas nasceram e muitas outras morreram. A Idade Média começa quando os nobres de Roma, entediados de ficarem parados bebendo vinho e comendo uva, decidiram abandonar Roma, enfraquecendo assim o Imperador e tornando o poder descentralizado. Assim, os Bárbaros aproveitaram a situação para limpar a Itália. Os romanos já faziam atrocidades com eles, então pegaram suas armas – repolho, salsicha, chucrute, pau e pedra – e invadiram Roma.

Na Idade Média não faltavam coisas para fazer. Como não tinha televisão, todo mundo se divertia fora de casa. Entre as coisas divertidas que haviam lá, devo citar a Inquisição, um divertido evento de perguntas e respostas. Quando não tinha mais dragões para matar e todas as donzelas tinham partido para as Cruzadas com bolsas a tiracolo, os cavaleiros ficaram sem ter o que fazer. Sim, alguns foram para o convento das Carmelitas, mas outros saíram por aí organizando raves e torneios.

Castelos são construções incríveis. E há muitos tipos deles. Há o tradicional, em que colocam água em volta dele repleta de jacarés, e com uma ponte levadiça. Há os castelos de contos de fadas, que são os que têm enfeites inúteis. Há os castelos góticos, que normalmente ficam equilibrados na ponta de um penhasco, e aonde há um laboratório secreto em que um cientista maluco cria um monstro. Há os castelos de areia, que podem ser feitos por qualquer criança. Também existe os de plástico, se encontra em qualquer aniversário. Há os de gelo, os do Super Mário World e o do Castelo Rá-Tim-Bum.

Quem não queria viver aí?

As Lágrimas da Guerra, #1

É um pouco maior do que o anterior, mas vale a pena ler!

Havia chovido muito, e a pequena estrada de terra havia se transformado em estrada de barro. A carroça tinha acabado de atolar, e nem se todas as malditas pessoas que estivessem ali tentassem empurrá-la, não conseguiriam tirá-la daquele terreno lamacento. Depois que a guerra invadiu seu país, tiveram que fugir o mais rápido possível, antes que o exército inimigo invadisse suas casas e estuprassem as mulheres ou antes que as crianças fossem obrigadas a ir lutar pelo império. Estavam cercados.

A única opção era seguir por aquela estrada que ia fazendo curvas e subindo lentamente até se perder no horizonte. Ela seguia até o mar, aonde eles pretendiam encontrar algum navio no porto que fosse para longe, e iam pagar de alguma forma para ir com eles. Todos sabiam que, quando chegassem lá, seria cada um por si. Pegaram somente o necessário do que estava sendo levado na carroça, e seguiram viagem, com os tornozelos enfiando na lama. Estava muito frio, e o céu nublado prometia mais chuva ainda. Tempos difíceis eram esses.

Passaram-se os dias, como se fossem somente sonhos sombrios. Certa manhã o sol estava forte e o barro havia secado, então todos se alegraram, pois a esperança de uma vida melhor em um lugar distante voltou ao coração de todos aqueles miseráveis. A estrada passava agora por um local onde havia um enorme penhasco que subia ao lado, e do outro lado seguiam pequenos montes, cavernas e pastos. A sombra do penhasco escurecia a estrada, apesar do dia estar claro. Quando chegaram ao lado do penhasco, ficaram olhando para cima, admirados com aquilo e com medo de alguma rocha ceder e cair.

Então ouviu-se um grito, e pequenas formas escuras apareceram lá em cima. Eles pararam, sentindo algo e olhando para todos os lados. As crianças se agarram aos braços de suas mães. Outro grito, e as formas escuras se moveram um pouco, para, depois de outro grito, soltarem alguns objetos na direção deles, e segundos depois perceberam que eram flechas. Correram desesperados, e logo depois mais uma saraivada desceu sobre os coitados. A maioria foi na direção dos pastos, mas logo depois da primeira elevação voltaram chorando. Isso os que conseguiram voltar. Soldados saíram de pequenas trincheiras e cortavam ao meio com suas espadas enormes todos os que se aproximavam para fugir.

Então a perseguição começou, e muitos aldeões morreram ali, seja por flechas vindo do céu ou pelos soldados, que faziam o sangue brotar da terra. Um pequeno menino mirrado, com os olhos sujos e cheios de lágrimas, se agarrou a uma gorda mulher que gritava por alguém e fechou os olhos. A mulher, vendo que não havia saída, agarrou ele também e saiu dali, olhando para cima e para os lados. Não parou de correr até que os gritos desesperados não fossem mais ouvidos. Olhou para a criança, e viu que ela já estava morta, com uma flechada que atravessou seu peito. Soltou ela rapidamente, e o corpo mole caiu no chão.

A mulher levou as mãos ao rosto e começou a chorar, enquanto recomeçava a correr de volta pela estrada, olhando para trás sempre.

Os contos não têm necessariamente relação entre si, salvo os casos em que há mais de uma parte, como este.

Ladrão

O Dia da Caça

A SOMBRA CINZENTA corria por entre as árvores enormes, enquanto vultos negros o perseguiam. Precisava de ajuda, não iria conseguir fugir por muito tempo. A luz prateada da lua iluminava o caminho, porém a névoa baixa impedia que ele visse aonde pisava. Encostou as costas no tronco de uma árvore centenária e suspirou. Olhou para cima, e viu que ela era como todas as outras: fina, e subiam até onde os olhos alcançavam, os galhos começando a brotar bem alto. Impossível de escalar.

Sentiu que eles se aproximavam, então voltou a correr, a capa cinzenta fazendo barulho ao voar para trás enquanto ele se movia rapidamente. O capuz saiu da cabeça, vindo um vento frio, e seus olhos verdes de elfo brilharam no escuro. Puxou uma adaga de dentro da roupa, e a estendeu, rodando em volta de si mesmo. Os vultos negros apareciam aqui e ali, como que brincando com ele.

Uma coruja piou do alto de uma árvore e alçou um voo desesperado, e nesse momento ele viu os lobos gigantes se aproximando, negros como a noite e com olhos vermelhos fitando-o esfomeados. Começou a tremer, e a gritar para eles irem embora, rodando e ameaçando cada um deles com a adaga. Por um momento pareceu que pararam, mas no seguinte um do bando já estava ao seu lado. Enfiou o aço nas costas dele, e por lá ele ficou agarrado, e então o animal arrancou seu braço somente com uma mordida feroz e um puxão.

Tentou ir para trás e tropeçou, arrastando-se pelo chão de barriga para cima, enquanto os lobos se aproximavam. Deu com as costas em uma árvore, e se encolheu ali. Esperou que algo aparecesse de repente para salvá-lo, mas nada veio, ninguém o estava ouvindo. Sentiu os dentes entrando em sua coxa, enquanto o outro vinha com o focinho em seu pescoço. Fechou os olhos, para nunca mais abri-los.

Ladrão

Do Tolkien

Direto ao ponto: Quem já leu O Senhor dos Anéis (1954) amou ter conhecido a Terra-Média. Dos campos verdes do Condado, passando por Lothlórien, Moria e até a podridão de Mordor. Como um livro pode encantar tantas pessoas, no mundo todo? E um livro de fantasia ainda, aonde tudo foi tirado da cabeça de J.R.R. Tolkien com habilidade magistral com as palavras. Algumas pessoas não gostam, mas um dos grande pontos fortes do livro é a farta descrição dos locais, tornando eles quase que palpáveis. Quem nunca suspirou e desejou viver ali, aonde a sua palavra vale muito e honra é tudo? Não só no mundo de Tolkien, mas também na época medieval em geral, nesse mundo que os livros nos passam. É incrível o efeito que papel e letras causam.
Embora a história de Tolkien em si seja um grande trabalho, ela é meramente o resultado de uma mitologia na qual ele trabalhava desde 1917. As influências sobre este antigo trabalho e sobre a história do Senhor dos Anéis englobam desde elementos de filosofia, mitologia e religião até antigos trabalhos de fantasia, bem como as experiências de Tolkien na Primeira Guerra Mundial. O impacto dos trabalhos de Tolkien é tão grande que o uso das palavras “Tolkienian” e “Tolkienesque” (‘’Tolkeniano’’ e ‘’Tolkenianesco’’) ficou gravado no dicionário Oxford English Dictionary.
O Senhor dos Anéis foi iniciado como uma sequência para O Hobbit, história publicada em 1937 que Tolkien tinha escrito e tinha sido lida originalmente por muitos jovens. A popularidade do livro, que também é uma obra-prima, levou o editor a pedir por mais histórias sobre hobbits, de modo que no mesmo ano Tolkien começou a escrever a história que se transformaria no Senhor dos Anéis.
O próprio J.R.R. descreveu O Senhor dos Anéis como uma obra ‘’fundamentalmente religiosa e Católica’’. Há muitos temas teológicos na narrativa, inclusive a luta do bem contra o mal e a atividade da Graça Divina. Além disso, uma curiosidade é que o trecho do Pai Nosso: ‘’e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’’ estava sempre presente na mente de Tolkien quando ele descreveu a luta de Frodo contra o poder do Um Anel.
Até na música a obra marcou presença. A banda alemã Blind Guardian possui várias referências a Tolkien, contando a história das Silmarils (livro O Silmarillion, perfeito também por sinal), e a banda Helloween também. O Led Zeppelin é provavelmente o mais famoso grupo diretamente inspirado em Tolkien, e possui quatro músicas com referências explícitas, como Misty Mountain Hop, Ramble On e The Battle of Evermore.
Em 1999, o diretor Peter Jackson resolveu adaptar O Senhor dos Anéis para o cinema. A trilogia foi filmada simultaneamente, e está entre os recorder de bilheteria, além de ter acumulado DEZESSETE Oscars, 4 para o primeiro, 2 para o segundo e ONZE para o terceiro.
É uma obra que marcou quem leu, e que dificilmente será superada, não só pela história de Frodo e do Um Anel em si, mas de todo o mundo que os cerca, os orsc, ents, elfos, anões, as florestas, minas, as lendas, as batalhas épicas. Pegar o livro e torcer para que a Comitiva do Anel acabe com Sauron e seus orcs é maravilhoso. Também aconselho os outros livros, que tratam mais da mitologia em si, como O Silmarillion e Contos Inacabados.