Hemet Zamael, o Ilusionista #5

Mesmo quando estava fechado o alçapão ainda dava pra ouvir os gritos de Valoria. Choros, gemidos, gritos, a cidade estava tomada por aquelas criaturas. Depois de um tempo, não se ouvia mais nada além dos grunhidos dos zumbis e seus passos rastejantes.

Minutos se passaram até todos retomarem a consciência. Fora um susto para todos.

– Temos que voltar, podemos salvar algumas vidas ainda, deve haver sobreviventes. Disse Aikor.

– Meu coração está pesado Aikor. Disse o Zamael. – Mas temo arriscar salvar mais vidas e expor este esconderijo de emergência.

– Nunca podemos ajudar todos. A chance de morte é maior do que de trazermos mais alguém vivo para cá. Disse Moz.

– Concordo com o mestre gnomo. Exclamaram Gideon e o Talessin

Em meio a breve discussão, todos se calaram e ficaram com os corações tristes.

– Entretanto. Disse Gideon. – Devemos continuar este caminho e certificarmos sua segurança.

– Minha vez de concordar com você. Gideon. Disse Zamael. – Temos que assegurar as nossas vidas explorando esse caminho. A que ele nos leva Moz?

– Pouco se sabe Mestre Gnomo. Nunca me atrevi a explora-lo, foi dado a mim o dever de guarda-lo. Me assusto só com sua escuridão deste lugar, sinto o ar dos espíritos aqui, como se eles entrassem pelas minhas narinas e vasculhassem todo meu corpo e mente. Disse Moz. – Mas os antigos, meus antepassados relatam de que esta passagem leva a Queda do Guerreiro, ao pântano de nossa região e outros lugares que se perderam com o tempo ou que nunca ganharam nome.

Enquanto a conversa de Moz e Hemet Zamael acontecia um barulho diferente os desviou a atenção. Em meio aos bêbados desacordados, um meio-orc aumentava sua respiração, era tão grande suas narinas que dava para ver o ar entrar sendo umidificado e uma vasão branca quando se expelia. Aos dois roncos o orc levanta assutado.

– Gnash Crak Mush. – O que diabos aconteceu? Questionava o orc assutado.

– Quem trouxe esse ai? Vendo o tamanho do meio-orc agora de pé.

– Fui deu. Disse Talessin. – Vi que só iria conseguir trazer um dos bêbados Gideon. – Então tratei de trazer um bem grande!

– O que acontecer com Roak depois da festa boa na Taverna de Moz? Ou será que Roak está em um daqueles sonhos que parecem ser mais reais.

– Você não está sonhando, Roak. Se é que este é seu nome. Disse o Clérigo. – Sou Aikor, e salvamos você e mais alguns bêbados enquanto o ataque acontecia na cidade.

– Ataque? – Disse Roak enquanto tirava seu machado duplo das costas.

– Sim. Respondeu o Gnomo indo em direção ao meio-orc. – Estávamos todos bebendo e festejando na Taverna do Mestre Moz quando o estabelecimento foi atingido por alguma magia ou munição grandiosa, destruindo metade da taverna de uma só vez. Fomos todos investigar tal insulto ao estabelecimento feliz de Moz quando deparamos com as primeiras criaturas. Fomos atacados por mortos-vivos. Em meio às palavras de um homem que luta dançando, fomos todos defender a cidade. Conseguimos derrubar alguns, mas em pouco tempo a cidade estava tomada. Ao chamado de Moz, nosso salvador, voltamos para a Taverna e entramos neste alçapão. Conseguimos salvar somente aqueles que estavam na taverna, você e mais aqueles.

Roak desviou o olhar para trás e de onde levantou havia mais cinco homens desacordados.

– Roak conhecer o homem que luta dançando. Cassios é o seu nome, também é conhecido como O Incrível. Ele ser um dos melhores lutadores desta região e Roak vir desafiar ele na competição. Ele e todos ao seu nível, pois Roak ser forte também. Disse Roak enquanto se vangloriava quando falava de si e de que conhecia o monge dançante.

– Roak agradecer aos que me ajudaram. Roak ser grato a todos vocês e principalmente aquele me carregou.

– De nada. Disse Talessin. – Seu corpo não me ajudou a carrega-lo. Mas pensei que poderia ser de boa ajuda quando acordasse.

– Roak ser grato por me ajudarem enquanto Roak desacordado. Ajudar vocês com o que precisar.

– Isso será importante. Disse Zamael, respirando fundo quando viu que Roak era além de forte, ser bom. Estava assustado em achar que o meio-orc traria confusão.

– Agora devemos planejar e explorar o lugar. Disse Aikor.

– Sim, vamos nós e Roak fica com Moz e os outros desacordados. Disse Gideon.

– Apoio a afirmação do amigo guerreiro. Disse Talessin.

– Roak ficar com os outros bêbados e Moz, o Taverneiro, mas querer ser recompensado com mais hidromel quando puder.

– E será Mestre Orc se fazer jus de mim e todos estes desacordados. A quantia que quiser durantes 30 dias e 30 noites. Assim que retomar com meus negócios. Disse Moz rindo e abraçando Roak.

– Pois bem. Que assim seja. Disse Aikor. Vamos em frente nós quatro.

Zamael, Aikor, Gideon e Talessin se aprontaram, manterão formação e partiram para onde, durante muito tempo nenhum vivo havia caminhado.

E assim eles foram, despedindo de Moz e Roak.

~CobWeb~

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Hemet Zamael, o Ilusionista #4

Taverna

Avante aos gritos de batalha dos outros guerreiros e com a dança sinistra do monge o Bardo começa a tocar seu bandolim. Uma aura emanava do instrumento enquanto o guerreiro e o clérigo sentiam uma inspiração intrínseca a eles. Eles não sabiam o motivo mas, ao ouvir as belas notas do bandolim ambos tinham vontade da batalha. O monge desaparece do campo de visão.

O Clérigo em meio a musica abençoa a todos os combatentes com uma magia divina, contribuindo também para o combate.

O Guerreiro aos berros parte em direção aos mortos vivos. Este se destacava a todos, fora o único que partira em direção à sete zumbis sozinho, mas é claro com a cobertura de seus companheiros de batalha.

Ao cortar o flanco esquerdo de um dos inimigos, o Guerreiro adianta o passo e decapita outro. Após o ataque, cobrindo o lado direto o Clérigo avança e atinge com sua maça outro zumbi, mas o golpe não foi suficiente para derrota-lo.

Zamael olhando a situação cria uma Imagem Silenciosa ao lado esquerdo do Guerreiro. A imagem continha uma cópia idêntica do Guerreiro entretanto sem qualquer cheiro ou som. Ela se movimentava sinuosamente, não portanto armas nem demonstrando posição do combate. Era uma magia para iniciantes e muito arriscada, mas o Ilusionista acreditava nos seus poderes. Dois zumbis tentam acertar a imagem e não conseguem.O objetivo de Zamael foi conseguido, desviou a atenção de dois inimigos a favor do Guerreiro.

O Guerreiro salta e acerta o mesmo zumbi que o Clérigo e o elimina.

Uma das criaturas acerta o Clérigo. O som abafado do soco ao entrar em contato com a armadura faz o Clérigo urgir de dor. Fora um golpe desferido nas costelas.

O feitiço do mago se desfaz após alguns segundos, tempo suficiente para o Guerreiro e Clérigo se recomporem e irem em direção aos quatro últimos inimigos próximo a eles. Haviam muito mais que sete deles em Valoria.

Antes de chegarem Hemet Zamel cita palavras de Brast, o Senhor do Fogo. Um cone de chamas salta de globo carbonizando os quatro inimigos restantes.

Aikor empunha o simbolo de Pêlor e com palavras divinas, um clarão da cor do sol surgi indo em direção aos mortos vivos. Terminando de carboniza-los. O combate havia terminado e a pequena vitória era dos vivos.

Obstante a situação o bardo para de cantar e observa que mais inimigos cobrem todo o patio da cidade, logo todos estariam cercados.

– Temos que fugir! São muitos inimigos, temos que bater em retirada!

– Pelos Deuses, são muitos! Não vamos conseguir derrotar todos por agora! Estamos em menor numero. Diz o Aikor, o Clérigo.

De repente, uma voz surge dos escombros da taverna. Era Moz, com um ferido na cabeça mas totalmente consciente. Diferente de outros que sem possuir nenhum ferimento estavam desmaiados de bêbado nas dependências do que sobrou da taverna.

– Jovens! Já nos defenderam demais! Vamos para o meu alçapão! Corram!

Os combatentes sem pensar duas vezes obedecem Moz e partem em direção novamente a grande taverna.

– Há uma passagem que a muito tempo não fora usada, nem por mim, nem por ninguém. Acho um bom momento para utilizarmos o subterrâneo de Valoria, que as mesmas ruas que se tem em terra se tem abaixo dela.

Moz arrasta o balcão da taverna e abre uma tampa ao solo. Havia uma entrada escura, só se dava para visualizar os primeiros degraus de uma escada.

9 S. José das Taipas 011-001

– Temos que levar esses bêbados insolentes conosco. Seus apetrechos pelas bebidas não devem custar suas vidas, me ajude você! Dizia o Aikor para o Guerreiro.

– A proposito meu nome é Gideon e irei ajuda-lo com prazer, mas que sejamos rápidos! Não quero arriscar meu traseiro por causa desses bebuns!

– E o meu é Talessin, o Bardo. Levantando um bebum pelas costas.

Rapidamente todos os bêbados que estavam na tavena foram juntos para dentro do alçapão.

Todos aqueles. Taverneiro, bêbados e aventureiros estavam a salvo.

Mas por quanto tempo?

~CobWeb~

Hemet Zamael, o Ilusionista #3

     Quando Hemet Zamael se pega na vontade de ir em direção aos dois senhores para perguntar o que teria acontecido os meus ouvidos me chamam mais atenção. Escuto a voz de um plebeu que com velocidade atinge o platô do palanque e dizendo:

– Peço a todos vocês suas singelas atenções, o nosso grande Rei Thenemur III está aqui para dar um recado aos competidores.

     Em meio a espalhafatosa apresentação do plebeu, Thenemur III se aproxima do centro da massa. Estava vestido sua armadura de batalha com belos adornos. Sem o elmo dava para visualizar sua face. Uma barba ruiva tampava-lhe o pescoço e seus olhos eram marcados pelo cansaço. Thenemur III parecia ser jovem, seu corpo o ajudava, o contrário do que muitas coisas que ouvi antes de chegar em Valoran quando o assunto era a idade daquele rei.

– Dou a todos às boas vindas a Valoran. É com muita honra que recebemos todos os competidores, sejam das redondezas ou de terras distantes. Aproveito este momento e anúncio a todos que o nosso torneio irá iniciar em cinco noites. Desejo que todos se acomodem nos recintos de nossa cidade e que sejam bem atendidos. Vejo que temos grandes e pequenos competidores, estou ansioso para assistir não só uma batalha sangrenta mas também várias outras perplexas de estrategias e dispositivos atípicos. Que Kord nos guie.

     Ao término da pronuncia do rei, uma saraivada de urros, berros e palmas acontecem. Todos estavam exitados com a competição e fala do rei.

     Olho para o lado e vejo que clérigo ainda está ao meu lado.

– A proposito me chamo Hemet Zamael nobre sacerdote. Dizia o gnomo astuto.

– Aikor para servir aos fracos e oprimidos, Sr. Gnomo. Responde o clérigo em uni-sono.

– Irei para taverna do Moz, dizem que há a melhor cerveja das redondezas e que seus barris de conversa são mágicos, o que da um gosto peculiar a elas. Toda taverna há informações e deve sempre ter uma boa bebida. Argumenta o mago.

– Exatamente Mestre Gnomo. Irei com você à taverna, preciso não só de informações mas também de uma boa cama, fiquei me retorcendo durante toda a viagem mas não é nada alem do que minha coluna possa suportar. Responde Aikor, o Fragmento Sagrado.

Indo de encontro a taverna, observo toda a multidão. Estava cheio o lugar, era a mais famosa e maior taverna de todas em Valoran, Moz era o seu dono e vivia de orgulho de seu grande e melhor empreendimento. Boa fama ele tinha, não só pela boa bebida, mas também pelas suas informações.

– Grande taverneiro, a maior caneca e a melhor bebida de Valoran para mim! Dizia o gnomo empolgado enquanto escalava o banco do balcão.

– Mestre Gnomo, trarei com o maior prazer a maior caneca e a melhor bebida que tenho. Por incrível que pareça não será a minha cerveja, mas um hidromel mais saboroso do que os dos elfos e mais escuro do que as dos anões. E quanto a você Sr.? Responde Moz, o Taverneiro desviando o olhar do gnomo para o clérigo.

– Gostaria de um caneca também, mas não tão grande quanto ao do meu companheiro. Solicitava o clérigo.

Em meio as goladas de uma caneca maior que a cabeça, Hemet observa os dois senhores que estivera, anteriormente, sido expulsos da caravana. Um deles possuía brunêa, escudo e espada, enquanto outro um olhar astuto, bandolim e besta.

O musico estava a se apresentar no palco, e sua musica estava confortando todos os clientes de Moz.

Em meio aos cantos e danças, todos bebiam e estavam felizes. Pelo menos naquele momento não havia preconceitos nem inimizade e muito menos competições, a não ser apostas de quem bebia mais hidromel!

De repente um barulho é escutado vindo dos céus, somente àqueles que não estavam totalmente embriagados ouvirão tal petardo e se assustaram.

Em instantes uma grande massa de fogo colide contra a grande taverna de Moz. Não havia mais a parede anterior da taverna.

Em meio a fumaça e o silencio de todos com o acaso, uma voz surge de dentro da taverna.

– Por Kord, não acredito que interromperam minha dança e bebedeira antes da hora. Irei acabar com quem acabou com minha festa e com a taverna de Moz!

Salta um senhor em meio a entrada taverna. Ele era magro, sua pele castanha ia de contraluz a suas belas manoplas douradas, único utensilio de metal que revestia seu corpo. O resto era coberto somente por panos e seu peito era nu.

Com as palavras daquele senhor, Hemet Zamael ficara surpreendido com o acaso, mas queria castigar quem quer que seja aquele que estragou com a festa de todos e com a boa musica do bardo. O gnomo salta e segue o monge. O clérigo, preocupado com o gnomo o segue.

Olho para trás e vejo o bardo e o guerreiro, os dois senhores que haviam expulsos da caravana.

Quando retomo a visão à frente avisto em meio a fumaça o monge em meio aos inimigos. Socos e chutes apareciam no ar como um dança. Sim, eram vários inimigos e não somente um.

Com a queda da fumaça agora conseguira ver perfeitamente tais criaturas, eram todos zumbis.

Incrível a quantidade de mortos-vivos no pátio de Valoran, algo mágico aconteceu e posso tenho certeza que há algo relacionado ao Lich.

Apronto meu grimório e pego meu globo. O combate iria acontecer.

Mago, Bardo, Guerreiro e Clérigo iriam batalhar juntos… um grupo estava a se formar.

~CobWeb~

Hemet Zamael, o Ilusionista #2

     A caravana parte do leste de Monterlinds e pega a estrada rumo a Valoran. Na estrada de Bloop, outras caravanas se avistava vindas de outras direções. Essas comitivas se encontram numa mesma estrada principal e formar fila, me parece que todas estão com o mesmo destino. A manhã desaparece e depois da ceia do meio dia volto a me concentrar no caminho. A carava era apertada para os humanos, mas até acessível para os gnomos. A base feita de madeira maciça e bancos com o mesmo material, uma lona antiga cobria-nos o céu, era uma caravana para viagens curtas.

     Pelo ângulo de visão avisto uma situação atípica de minhas terras natais na caravana à frente. Um sujeito se aproveitando de um velho a dormir, rouba-lhe um pergaminho e seu bolsão, onde deveria conter suas moedas ou qualquer outro objeto de valor. Se não fosse avisado pelos meus mestres de Felkor, acharia aquilo surpreendente e alguma coisa teria feito para impedir. Mas os humanos são diferentes de nós gnomos magos. Devemos nos intrometer naquilo que realmente levará a uma grande relevância, não podemos defender tudo e nem todos, não devemos também arriscar nossas vidas por todas casuísticas impróprias.

     Um outro senhor se aproxima do ladrão. Pelo que parece eles estavam dialogando, mas não conseguia ouvir nada. Ficaram ali por instantes conversando ate gerarem um tumulto na caravana. Me parece o que senhor havia visto assim como eu a punga no ato. Estes dois são expulsos e obrigados a terminar o caminho a pé. Por sorte, já conseguia avistar Valoran e a grande Torre Negra. Estava à umas seis milhas da cidade competitiva. De certa forma, seria uma caminhada curta para àqueles dois.

     Ao passar dos portões de Valoran, avisto um grande tumulto. Uma multidão vasta e vasta raças se encontravam. Via-se pessoas do meu tamanho, um pouco maiores, maiores e muito maiores. Não me fixei muito ao contornos da cidadela, me dirigi ao tumulto. Algo me mostrou que aqueles eram os candidatos à competição. Indo em direção me aproximo de um guerreiro sagrado. Bom, pelo menos parecia ser se não fosse pela sua armadura com adornos do Sol, maça e o simbolo de Pêlor no escudo e no amuleto em que utilizava.

– Está aqui para a competição Guerreiro Sagrado? Meus conhecimentos me dizem com clareza que Valoran não há devotos de Pêlor. Pergunta o gnomo entusiasmado.

 

-Sim, Mestre Gnomo. Vim representar minha ordem neste torneio. Mas outras situações me trazem a esta cidade. E você? – Responde o clérigo com singela edução.

-Hehe. Faço da sua minha resposta. Vim para competir, mas também para investigar outros assuntos.

Bom, de certa forma não posso te julgar pelo tamanho. Mas pelos tamanhos dos outros os desafios para você serão difíceis. Espero que seja rápido e sagaz com seus adversários. Haha! – Responde o clérigo alegre, mas preocupado com a coragem do pequenino.

Enquanto conversava com o clérigo, Hemet Zamael avista os dois senhores chutados da caravana. Eles tinham sangue em suas armas e armaduras. Mas não era visto nenhum ferimentos em ambos. O que poderia ter acontecido?

~CobWeb~

Hemet Zamael, o Ilusionista #1

     Quando criança ajudava meu pai na loja de poções. Balidur era seu nome, era também conhecido como Franel, mas gostava de ser chamado de Lindon. Nasci e cresci em Kaz Modam, a cidade dos Gnomos, no subterrâneo, aprendendo com meu pai os truques de uma bela e negociável poção. Entretanto, diversas vezes saía dos corredores rochosos para contemplar o cheiro das folhas, o verde das árvores e sons dos animais, assim aprendi sozinho alguns truques mágicos e a comunicar com eles.

     Kaz Modam por eras atrás fora sitiada por um dos nossos mais antigos e saudosos amigos, os anões. Cavaram nas montanhas de forma a cumprirem o desejo de se criar uma grande fortaleza. E conseguiram. Entretanto, o número dos anões com o passar dos anos foi crescendo e cada vez mais se achava menor Kaz Modam. O que motivou Barduk II, o Lord Anão, a cavarem mais profundos e cumpriram seu mais novo desejo, queriam algo não só maior mas também mais protegido. Hoje, os anões vivem além de Kaz Modam, em algum lugar espantosamente maior e mais protegido. A cidade foi deixada para os Gnomos, que desde aquela época alguns já moravam na Grande Kaz, como também era chamada. E foi isso que aconteceu. Até hoje alguns anões caminham sob a luz do sol e alguns voltaram a Kaz Modam, ficam alguns anos e depois migram para o subterrâneo novamente. São sempre bem vindos, principalmente quando trazem coisas novas, pedras e utensílios atípicos desconhecidos pelos gnomos.

      Aos vinte e cinco anos comecei a viajar em caravanas com meu pai, aprendi com ele, os valores de uma boa negociação e permuta. E pela primeira vez me afastei das montanhas e florestas para experimentar o salgado litoral e as vastas e extensas planícies. Juntamente com toda dialética comercial aprendi a língua dos elfos e a comum dos homens, pois as dos anões já havia aprendido com meu pai e com um ou outro viajante anão. Mas meu destino era outro, a ser um mero comerciante, mal sabia eu que aquele ano mudaria todo meu destino. Aos meus trinta nos de idade um tio distante volta à Kaz Modam com um tarefa. Deveria levar consigo um aprendiz para as profundezas do subterrâneo, para aprender a magia. Fascinado com a oportunidade de me tornar um mestre do conhecimento e subjugar o destino de minha vida, demonstrei ao meu tio o interesse de aprender profundamente a magia. Me tornei integrante do clã Felkor, de Hemet, passo a me chamar também Zamael, o Ilusionista.

     Depois de 10 anos de incansáveis estudos e tarefas, conclui meus estudos iniciais. Minha missão agora é aprimorar meus conhecimentos através da pesquisa ininterrupta e voltar um dia para minha terra com um novo discípulo.

      Eu vou para Valoran, é temporada de competição na cidade litorânea. Dizem que os magos não são muitos bem vindos lá, depois que uma criatura denominada “Lich” causou muita destruição da cidade. Se não fosse por Tenemur III, o atual rei, o “Lich” estaria a solta até nos dias atuais e sabe nunca se pode pressupor o que teria acontecido com todos nós.

 

Pois bem, uma caravana parte do leste com destino a Valoran e eu estou nela.

Investigarei de perto o tal “Lich” e quem sabe desfrutar de um combate.

~CobWeb~

Os Contos Perdidos do Apocalipse – Ato 3 “A Sombra Sobre a Colina”

Miguel

O Arcanjo estava sob seu refúgio, em meio nuvens alvas acinzentadas, era belo, tinha os cabelos negros como a noite sem luar e a pela contrastantemente clara, trajava sua armadura reluzente, em prateado que até para os olhos menos hábeis se mostra não ser do mundo dos homens, o vento esvoaçava sua capa vermelha escura, símbolo do advento. O acampamento dos anjos se erguia sobre as nuvens e mostrava não ter fim. Em meio aos acampamentos ao estilo humano, panos brancos atirados sobre milhares de tendas. Anjos fortes apressavam de um lado para o outro, portando suas espadas e seus giboes brancos e prateados. Asas passavam de um lado ao outro, enquanto alguns simplesmente conversavam ansiosamente sob à escuridão daqueles tempos.

“As crias dos deuses se mostram cada vez mais perfeitas, meu arcanjo” um anjo de menor porte, que trajava um dos gibões padrões da milícia celeste sentou ao lado do arcanjo, pareciam ter uma relação muito forte. “deveríamos ter dado mais atenção às possibilidades”

“Possibilidades, irmão…” a voz do arcanjo era suave como a leve brisa da manhã. “Nada passa despercebido pelos olhos dos deuses, falhamos por termos subestimado os seres inferiores. Quanto a Lucífer, maldito seja! Estúpido suficiente para trair o pai, estúpido o suficiente para não achar que os anões não encontrariam seu metal, e que se voltaria contra ele.”

“Nunca lhe passou pela cabeça que esta estupidez talvez tenha sido proposital?”

“Este pensamento me atormenta até mesmo durante minhas orações.” o arcanjo apoiou sua cabeça na mão aberta, se esforçou abruptamente em tentar invadir uma zona de pensamento que não conseguia há muito, uma espécie de barreira que tentava penetrar há muito tempo. Em desespero socou a escrivaninha do lado da cadeira e gritou.

O grito foi tão alto que calou o acampamento por alguns instantes. Com o silêncio, se ouviu um estrondo na terra. Uma explosão de algo colidindo ao solo, e a terra ficou rubra.

Lúcifer.

Royce

A terra rugia e tremia, parecia que iria explodir a qualquer momento. O conselho se calou e todos se apoiaram nos móveis enquanto o barulho ensurdecedor ecoava pelas salas de pedra da construção. O caos tomou conta do lugar quando guardas empunharam suas espadas e escrivãos começaram a correr e fugir por suas vidas.

Lorde Royce com sua espada em mãos correu para a janela norte, onde se via a colina, e afastou-se do sudoeste, de onde tinha vista o monte Thûm. Da janela, viu um dragão negro em meio ao dia escuro e às nuvens, o dragão voltava sua cabeça para os seus e de sua boca saia o som ensurdecedor. O chão tremia do impacto do ser à terra. O que seria aquilo?

Alguns soldados se aglomeravam na entrada da cidade, na parte interna dos muros em formação de batalha, tão vulnerável perto do gigante.

O grito do dragão cessou, de repente o caos que a terra presenciava se tornou um silêncio frio e ansioso. Por alguns longos instantes assim ficou, e todos permaneceram estupefatos como que se qualquer ação lhes causaria a morte.

Até que o dragão abriu sua boca e no idioma comum, com uma voz ríspida, grave, gigante como ele, disse:

“Sou o Lucifer, o portador da luz maligna, o Belial, o Imundo, o Dragão”

Um longo silêncio novamente se fez entre os homens. E um grito se ouviu dos céus, de onde os arcanjos acampavam.

“Vim lhes propor, seres inferiores…”

Ele pisou e a terra tremeu, mostrando toda a força que continha, e a força que exprimia nas palavras que saiam como um esforço maior do que se quisesse destruir todo o mundo.

“Vim lhes propor uma aliança!” E a escuridão recaiu rubra sobre a terra sob os gritos agudos dos demônios ao lado rubro do monte Thûm.

Lágrimas da Guerra, #5 FINAL (A Última Prisioneira)

A aldeia pegava fogo: os soldados a haviam incendiado. Havia gritos para todo lado, enquanto ela se encolhia atrás de madeira e lixos. Não viu quando alguém chegou por trás e a apertou pelo pescoço com o braço, fazendo-a se levantar. Ela viu o tênue brilho de uma lâmina, e no mesmo momento em que a ponta encostava em sua garganta, seu braço ia para cima, levando o pedaço de madeira que havia pegado consigo. Acertou na nuca de quem a segurava, e o braço que a prendia frouxou. Ela se assustou ao se virar e ver a irmã do bom homem loiro. Mas não pensou duas vezes. Acertou o pau no rosto dela outra vez, e a jovem foi ao chão, gemendo. Então a gorda, que já tinha muita força nos braços devido ao seu treinamento anterior, se preparava para mais um golpe, mas então um homem em um cavalo passou rapidamente e jogou uma tocha incendiária próximo dali, e ela foi embora correndo.

Flechas zuniam no seu ouvido, enquanto ela corria agachada tentando sair da aldeia. ”Sim, agora eu tenho um pouco de coragem”, pensou, e nesse momento as pernas dela travaram, ela olhou para cima e um cavalo negro enorme relinchava e se inclinava para cima na sua frente. Seu casco acertou seu rosto, e ela sentiu como se sua cabeça fosse encolhida do tamanho de uma ervilha, e então desmaiou.

”Ah…”, sua boca ardia, e ao passar a língua pela gengiva, sentiu mais de um dente quase solto. Cuspiu um bola de sangue, e depois outra e depois mais uma. Abriu os olhos, e estava em uma jaula móvel. Junto dela haviam outros, e ela se assustou ao reconhecer amigos de sua antiga aldeia. ”Não!, gritou, Não! Ah…”, não, não era possível, tudo isso para no final ser apanhada novamente por esses malditos soldados. Não… Que vida miserável era a sua? O que tinha feito para passar por tudo aquilo?… Não tinha tido problema algum em viver, até que os interesses dos poderosos destruiu tudo que havia construído. E tudo isso é somente questão de sorte! Por que ela não nasceu em um berço de ouro, aonde tudo seria mais fácil, aonde não teria problema algum, aonde não trabalharia tanto, aonde não sofreria, aonde seu pai receberia um dote pelo seu casamento…

Seus sonhos eram muitos, e a realidade não permitia espaço para nenhum deles. Ela era uma camponesa, sua opinião não valia de nada, em nenhuma história de heróis alguém do campo, do interior, havia feito algo importante. Pelo menos nas histórias que ela conhecia. Então olhou para o lado e viu que passavam por um grande penhasco. Olhou o outro lado e viu um pequeno morro, com algumas plantações, e uma sombra negra lá em cima, ereta. ”Sim, eu vou fazer algo importante”. Seu peso finalmente serviria para algo. As carroças eram interligadas umas nas outras por cabos de ferro, para que não se separassem. A comitiva que a levava prisioneira, certamente para torturá-la, era razoavelmente grande. ”Me matar por eu seu uma camponesa. Por eu ser uma boca inútil para o rei. Olhe essas plantações míseras.”, pensou. A tortura certamente aconteceria, pois nove em cada dez soldados têm a mente sombria.

Então ela começou. As carroças passavam a centímetros do penhasco, e o morro subia ao lado, impedindo que elas se afastassem do perigo. A sombra ainda continuava lá em cima. Ela se jogou para o lado da morte, batendo o corpo contra as grades. Isto assustou os miseráveis que compartilhavam a jaula com ela, que fez mais uma vez, e depois outra, enquanto lágrimas desciam de seu rosto. Alguns gritavam para que parassem e tentaram segurá-la, enquanto outros começaram a ajudar, e uma briga quase ocorreu dentro da carroça. Outros prisioneiros de outras jaulas começaram a fazer o mesmo, enquanto os soldados gritavam e enfiavam a lança nos desprovidos de sorte. ”Alguns de vocês vão morrer comigo, malditos!”, ela resmungou, enquanto dava o empurrão derradeiro.

Ela não viu, mas enquanto a carroça tombava lentamente, a sombra negra lá em cima levantava um arco e tirava uma flecha da aljava. Se tivesse olhos melhores, ela teria visto seu cabelo loiro, e o rosto de um bom homem loiro. Ele fechou um os olhos e mirou, soltando a flecha no momento em que a gorda saía de visão. Enquanto a carroça dela caía, começando a puxar as outras, ela sentiu a flecha atravessando seu peito. Ela buscou ar, mas não achou. Flechou os olhos e se encolheu, ouvindo tudo ranger e o mundo caindo em cima de si mesma, todos os soldados que estavam montados e os prisioneiros naquela confusão que cheirava a sangue e morte. Continuou de olhos fechados, e se encolheu mais ainda, como um caramujo, e esperou pela sua tão esperada morte.

Alguns dias depois o exército inimigo invadiu o Império, criando um cerco em sua capital. Cerco que durou quase um ano e meio, pois toda plantação havia sido recolhida, e mesmo assim ainda ficaram algumas para trás. Mas ainda assim o exército inimigo venceu, pois muitos trabalhadores do próprio Império se viraram contra ele e contra seu Imperador.

Ladrão

Aventura nas Terras Protegidas #1

Vallanar, continente norte de Autros (mundo), vive tempos difíceis, a intitulada grande batalha esta prestes a acontecer. A luta contra os quatro componentes que governam a terra média. Os escudos de proteção estão se esvaindo. Glibe, rei das terras nórdicas estuda outras formas de restabelecer a proteção, uma vez que as baterias de esterotritos, material responsável pela combustão das barreiras estão se esvaindo. Material importante este chamado de esterotritos, elementos rochosos que até hoje não se sabe certamente sua origem. Acredita-se que são fragmentos de meteoros que chegaram à superfície da terra. Há também, para os mais religiosos, que as rochas são dádivas divinas.

O conselho mestre de Vallanar pressupõe que poderia existir tal elemento nos demais continentes de Autros, mas desativar os escudos mesmo que seja por breve instantes poderia trazer várias desgraças. Da mesma forma que a aura emitida pelos esterotritos impede a entrada dos inimigos, estes também impedem a expansão dos vallanares.

A quatro gerações atrás houve uma guerra de disputa para a conquista das regiões demográficas de Autros. Vallanar foi vitima de um ataque combinado e sofreu vários danos. A única forma de se protegerem foi com a magia de proteção de Taric, que ainda em experiência usufruía dos tais “materiais divinos”. Este deu a oportunidade de existência para os Vallanares, a única possibilidade permanecerem neste mundo. Durante seis anos de conjuração, Taric fez com que a impenetrável barreira fosse estudada pelos seus discípulos. Sendo aprimorada e aumentada sua área de projeção. Contudo, era de se esperar que um dia o combustível rochoso ou divino iria esvair. Fora realizado novas escavações na tentativa de encontrar mais esterotritos no subterrâneo, mas até então nada foi encontrado.Para aqueles que há conhecem, acreditam que uma escavação muito antiga no continente do norte, que jamais fora explorada totalmente pelos Vallanares possa ter o material procurado. O que reforça a ideia de presença inimiga.

Glibe, decide recrutar uma parte de seu exercito para aventurar nas terras protegidas pelo escudo objetivando a proteção de ataques surpresas.

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O batedor volta do sul, o mais rápido possível. Seu rosto banhado pelo suor, sua face pura de desespero fitava o reino de Vallanar a algumas milhas de distância. Chegando de encontro ao portão principal, um código de emergência é pronunciado. – Balidur Gull’Tzur. Instantaneamente os portões se abrem, ninguém poderia saber tal código vindo de outras terras.

 

O militar passa sobre a periferia, comércio e demais pontos do reino, ele tem um único objetivo, ir de encontro ao Rei Glibe. Na região nobre, encontra-se o castelo de Gol’Darra, seus portões já estavam abertos para receber o batedor. Ele, salta do cavalo exausto e continua sua corrida até chegar de encontro ao salão central.

Ajoelhando para a Majestade, depois se levanta observando o cenário e começa a pronunciar para toda corte.

– Foi em um dia de tempestade forte, o vento forte batia nas torres de proteção e a água escorria até encontrarem com o solo. Os escudos estavam intactos, invisíveis, até que começa a trovejar. As barreiras antes invisíveis, piscando começam a aparecer, uma grande parede branca, alta e clara. O que era temido em todo continente de Vallanar começa a acontecer, e naquele momento sem que ninguém o saiba.

A única forma de proteção totalmente segura estava se desintegrando, aumentando a cada segundo. Buracos iam se formando e abrindo com o passar o tempo, o dia chegou Sua Alteza.

A Grande Batalha irá acontecer novamente…

~Alexandre CobWeb~

Os Contos Perdidos do Apocalipse – Ato 2 “O Achado dos Contos e o Conselho de Guerra”

Royce

Lorde Royce Garrman estava perdido em seus pensamentos, vestindo sua antiga cota de malha e sua surrada capa roxa. Eram tempos difíceis onde se exigiam formalidades, mas não ligava para isso. Todos os senhores independentes foram chamados à Sarazin, a cidade sob a colina para que todos eles se reunissem e fosse formado o Conselho de Guerra.

Não reparou quando o jovem Husjin entrou pela porta após bater algumas vezes. O lorde raramente respondia.

“Meu senhor, a reunião do conselho irá começar dentro de uma hora. Um arauto avisou Sir Oxton pela manhã.”

Royce não se virou, tinha o olhar fixo no monte, nas sombras e na luz pálida, onde acampados estavam anjos e demônios.

“Vá comer, Husjin. Vejo você ansioso desde que chegamos na colina”

“Os homens tinham problemas suficientes pata lidar, senhor”, disse admirando a força com que Royce se mantinha firme, venerava o homem antes mesmo do fato de ele ser seu vassalo. “Não imaginava que os deuses seriam tão cruéis com os seres de Aeru enquanto nossa geração pisasse nessa terra!”

“Talvez homens bons como você seriam arrebatados, como dizia a religião morta. Mas ao que parece eles não contavam que estávamos tão preparados quanto eles para esta guerra, e quem sabe, acabaram por perder sua ‘misericórdia’.”

Os anões do norte mineraram tão fundo quanto jamais se tinha ouvido falar, e encontraram um metal da cor do ferro, mas que exalava uma fumaça dourada sensível apenas aos olhos. Chamaram-no de Metal de Harakaz, em referência ao deus anão das forjas. E descobriram que armas e projéteis deste metal eram capazes de perfurar espíritos e seres místicos, e com este metal em fartura, os anões fabricavam em massa um arsenal capaz de combater anjos e demônios.

“Me sinto honrado por tais elogios, milorde. Peço sua licença para me retirar. Preciso me aquecer, e pelo visto o sol não irá aparecer por entre essas nuvens tampouco o dia irá nos abençoar”

Sir Royce era senhor das terras ocidentais, um reino tão vasto quanto a vista pode alcançar. O castelo de Newell, se erguia como uma arvore solitária em meio a planície do deserto oeste. Com a morte do santo padre, e com a religião disseminada, morta, como agora a chamavam, necessitavam de um novo líder para liderar a revolução dos homens, o Conselho de Guerra, e ele temia pelos homens que fossem governados por esse líder, por suas vidas, não confiava em ninguém para o cargo, mas acima de tudo, temia que fosse ele o escolhido.

Sem sol, apenas com as luzes pálidas rubras e cinza que vinham do monte, o tempo era marcado pelo pêndulo de Sarazin, um grande conjunto de cordas e peças de bronze que batiam a cada segundo. Os pêndulos se chocaram por tempo suficiente e os escravos soaram os sinos que marcavam a passagem de uma hora por duas vezes. Royce embainhou sua espada, jogou o capuz sobre a cabeça e deixou seu quarto rumo ao conselho.

Faeron

A mata exibia uma terrível e desesperadora escuridão, havia alguns dias que o sol não batia na copa das árvores e os pequenos feixes de luzes não as atravessavam fazendo os pequenos riachos que antes brilhavam, parecerem mortos. As sombras pairavam durante o dia, mas as noites estavam ainda mais negras. O vento cortava frio e cruel, e aquela noite em especial, estava sendo longa demais.

Em uma casa encrostada em uma sombra de uma clareira, uma vela permanecera acesa durante toda noite. A casa era feita de pedra, não era comum que fosse, como a maioria das casas de madeira em meio a floresta feita para caçadores passarem as noites nas temporadas de caça. Havia algo naquele lugar que antes, talvez, pudesse ter sido chamado de belo. A clareira se estendia por cerca de trinta metros, e mesmo que nela só havia uma pequena vegetação rasteira, era coberta pelas arvores milenares que se entortavam por cima de sua grandiosidade.

As lendas contavam que as árvores da floresta de Bronwethiel já fora, outrora, a casa dos altos-elfos, os elfos das eras antigas. Quando ainda não tinham sido corrompidos pela ganância dos homens e tido a raça élfica dividida: os elfos de coração puro viajaram até a terra prometida, onde nenhum outro ser poderia alcançar, enquanto os elfos corrompidos se misturaram aos humanos, e eras depois, se tornaram meio-elfos. A casa de pedra estava no coração da floresta, e a magia élfica não tinha força mais ali.

Dentro das paredes de pedra, um ser admirava, sobre uma mesa, um antigo livro. Em volta dele um grande salão onde as paredes eram escondidas por prateleiras e prateleiras se misturava em meio caos de artigos, papiros e pergaminhos. A bagunça do lugar mostrava o quanto o teria revirado desesperadamente por muito tempo. Seu rosto jovem e fino era iluminado de baixo pra cima pela vela solitária que crepitava em meio à escuridão do cômodo e um sorriso indecifrável cortava as alvas bochechas.

Passou a mão sobre a capa empoeirada de couro, revelando a capa cheia de bolor e mofo, onde em meio à vários símbolos se lia: Os Contos Perdidos do Apocalipse. Seu sorriso se alargou ainda mais, sua mente envolvida em milhares de pensamentos. Tomou o livro em suas mãos e com um sopro apagou a vela, trazendo para a noite a escuridão completa.

Toda quinta feira, mais um “Ato”, ou seja, mais um capítulo da série “Os Contos do Apocalipse”, por Tiago Ornelas, o Sr. Armada.

Renegado Felmor #2

Sabadão é dia de relaxar o corpo e a cabeça. Leia algo diferente aqui.

– Started –

Um som se energizando aumentava a cada segundo. Felmor conseguiu observar que este som era mais audível do lado esquerdo do que seu lado direito. Instintivo, um salto para frente o livra do contato imediato com tal energia. Um raio de choque saíra da boca de um dos golens.

– Droga, este era meu ultimo sopro. Dizia o golem que disparou.

Felmor interpreta tal ação como o inicio do combate, e também ataca. Independente do tamanho de sua espada, os golens pareciam ser resistentes, até mesmo por serem feitos de pedra. Não foi a mesma conclusão que obtive quando o contato de Nakrak ao fatiar todo o flanco esquerdo de um deles, indescritível o quão fácil foi penetrar na superfície de pedra de um deles.

Todos os golens se adiantam e tentam o acertar, agora com cabeçadas e seus longos braços. Felmor, rola e se levanta defendo de um soco de golem com a própria espada. Defende de outro com sua própria mão. Um terceiro o atinge nas costas e em seguida outro o atinge em seu ombro direito. Felmor dessa vez cai e não se levanta, agora ele conseguia contar, eram oito.

Todos os  golens o mobilizam, exceto um.

– E agora Felmor? Que tal voltarmos para casa?

Em meio a conversa, o golem se transfigura em uma outra criatura. A pele de pedra começa a cair de seu corpo, iam se derretendo ao entrarem em contato do solo. Seus olhos, cheios de lava começam a secar até virarem grandes bolas negras para depois ficarem extremamente vermelhas. Um par de asas ia se abrindo a medida que dois chifres ganhavam tamanho na criatura.

– Haha, estou famoso mesmo. Balldurst enviou diabretes atrás de mim? Dizia Felmor.

– Não vá se vangloriando, somente um  e transfigurado. Os demais são golens. Dizia o demônio. – Desde que você se afastou, o procuramos em todo lugar. Sua busca já nos custou muitos mais do que os danos de sua traição, mas o ego do Mestre é maior. Quer você vivo para que ele mesmo dê o castigo que você merece. Entretanto, eu vou começar algum aqui mesmo. Um fogo surge da mão do demônio, até se transformar em um chicote. – Gosto dessa arma. Boa para castigar quem merece!

– Entendo, mas infelizmente não será hoje que você vai usa-la. Pelo menos em mim. Dizia Felmor como se fosse o dono da situação. Os golens ainda o mantinham imobilizado e apertaram mais forte quando Felmor disse tais palavras.

– Haha, é mesmo. Vamos ver. Há! Dizia o demônio.

Ao ver os gestos do demônio, Felmor tinha certeza, em instantes algo ia o partir a carne. O chicote vinha em sua direção.

Os olhos de Felmor, ficam vermelhos a medida que o chicote de fogo aproximava. Um sorriso sarcástico o cobria-lhe o rosto. Seus punhos começam a pegar fogo até derreter aos mãos do golens. Felmor segura o chicote de fogo com a mão e o tira das mãos do demônio enquanto os golens se afastam amedrontados. Com um comando sua espada volta para a mão.

– Ash Gnack. Eu disse a você, amigo.

Agora com chicote e espada Felmor, trespassa Nakrak no peito de um golem, enquanto salta e atinge outro pelo pescoço. Com o chicote busca outro pelos pés e encrava a espada na sua cabeça.

Outro, outro e outro caíram, até sobrar o demônio.

– Devolva meu chicote. Ele é meu, o próprio mestre me deu. Diz o demônio.

– Eu não, acredite mas eu gostei dele. Dizia Felmor.

O demônio, sozinho e sem sua arma não teria chances de vencer Felmor.

Com um estalo, um portal de fogo surge atrás do demônio. Este caminha de costas entrando no portal.

Espere o Mestre saber de que, alem de traidor, Felmor agora é um ladrão também! Você me pagará!

O demônio desaparece.

– Droga, Orion era um belo cavalo, para onde será que ele foi? Mais oito semanas andando a pé.

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